Archive for abril, 2010


As relações em geral são sempre motivo de queixas e uma das mais frequentes é o modo pelo qual somos tratados, independente dos motivos. A frase: “O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença” de Érico Veríssimo, nos faz lembrar em como as pessoas tratam com indiferença aqueles com quem convivem e dizem amar. Não, com certeza isso não é amor! Algumas pessoas entram na vida de outras e fazem um verdadeiro estrago… e sequer demonstram arrependimento, sequer voltam para pedir desculpas ou saber como você está se sentindo. Quem já foi alvo da indiferença sabe a dor e o estrago que causa, e sabe também que os cacos serão um a um recolhidos, mas até isso acontecer quanto sofrimento provoca… E quem causou isso continua a vida, muitas vezes sem sentir o mínimo de dor, ao menos aparentemente, e vai machucando outros por onde passa.


Claro que um relacionamento afetivo tem sua base e suas peculiaridades, e se um faz algo, foi porque o outro permitiu; mas a verdade é que quem não está bem consigo mesmo, deveria no mínimo ter a responsabilidade de não se envolver com outra pessoa. Sim, muitas pessoas não têm a percepção de não estar bem, e quando se relacionam, o outro muitas vezes funciona como um verdadeiro espelho, ou seja, aquilo que não vê em si mesmo, projeta no outro, acreditando verdadeiramente que não lhe pertence. Usa o outro como espelho, sempre com o dedo acusador, sem se dar conta de que apenas está projetando no outro tudo que não consegue -ou não quer- enxergar em si mesmo.


É importante pensar ainda que se “envolver” para um pode não ter o mesmo significado para o outro, pois a maioria apenas mantém relações superficiais. Enfim, as variáveis são muitas, o que não nos impede de refletir sobre as possíveis causas e suas consequências, e assim ficarmos mais atentos na próxima relação. Afinal, os erros e as experiências são para aprendermos. Portanto, cabe a quem conhece esse processo não cair em tal cilada.


As pessoas estão tão alienadas de si mesmas, vivendo tão na superficialidade, que se esquecem de valores básicos como educação e, acima de tudo, respeito. Mas como podem se preocupar com o que o outro sente se não identificam nem aquilo que está bem dentro de si mesmo? Como respeitar os sentimentos do outro, se não respeitam nem os próprios sentimentos? Diante de tantos desencontros, como se envolver, verdadeiramente, sem se machucar?


Sim, o outro machucou, e nós, por vários motivos, conscientes ou não, permitimos, consentimos, nos iludimos, criamos expectativas, e ainda não consideramos vários sinais, sutis ou evidentes e o resultado disso tudo é um só: dor, dor e mais dor! Muitas vezes fazemos muito, cedemos muito, com a intenção que a relação dê certo; esperamos que dessa vez fosse diferente, mas não é! Decepcionamo-nos. E talvez se decepcionem conosco. Seja qual for a realidade, todos podemos aprender com tudo que acontece. Mas só aprende quem quer, quem deseja crescer, evoluir, e está aberto para perceber quanto o autoconhecimento é fundamental, do contrário situação semelhante voltará a acontecer, tanto para quem machucou como para quem foi machucado.


Ficar apontando o dedo, criticando, julgando, só demonstra o quanto não se consegue olhar para dentro de si. Não é nada fácil ter a coragem para enfrentar um processo de análise, o qual tem como objetivo principal o autoconhecimento, por isso é muito mais fácil apontar o que o outro, supostamente, fez de errado. Propor-se e se comprometer a ficar toda semana sentado por uma hora, durante um período indeterminado, para se encontrar consigo mesmo, e assim buscar a origem de seus conflitos, identificar suas máscaras, entender os motivos de seus comportamentos, encontrar sua verdadeira essência, realmente não é para qualquer um!Muitas vezes, quem nunca passou pelo processo, acusa o outro por todas as dificuldades encontradas no relacionamento, e se esse também não se conhece, facilmente irá assumir toda a culpa pelo que não deu certo. Isso acontece mais frequentemente nas relações afetivas, mas também encontramos conflitos por falta de autoconhecimento nas relações de amizade, familiar e profissional. Autoconhecimento deveria ser condição básica para qualquer tipo de relacionamento. Já dizia Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”, e eu acrescentaria: “… antes de se envolver emocionalmente com outra pessoa”.


Quando uma pessoa -eu, você-, pretende, quer ou começa a se envolver com alguém, deve sim ter a responsabilidade de estar bem consigo mesmo para não jogar todos seus lixos no outro, pois é isso que acontece quando não se conhece a si próprios. Ninguém tem a responsabilidade de salvar, suprir necessidades emocionais do passado, ou mudar o histórico de vida de ninguém, pois isso é impossível, mas também ninguém tem o direito de piorar aquilo que já foi ou é tão difícil de ser superado. Ainda que a pessoa não saiba nada sobre o passado e as necessidades do outro, deve respeitá-lo acima de tudo como ser humano e lembrar que todos têm um histórico, uns mais difíceis de serem superados, outros menos.


As pessoas sequer têm consciência de suas necessidades emocionais, as quais dão origem às máscaras, e saem em busca de quem as salve, quando elas mesmas não conseguem se salvar. Complicado? Pode parecer, mas não é. Todos nós utilizamos máscaras, pois é um processo inconsciente como proteção e defesa da dor, mas sem autoconhecimento vivemos como se essas máscaras fossem nossa essência, o que não é verdade, pois nossa essência está escondida, e só a descobrimos quando nos dispomos a nos conhecer. Diante desse quadro a maioria dos relacionamentos envolve apenas mascarados. Eu uso minhas máscaras (das quais sequer tenho conhecimento), você utiliza as suas, e o conflito se instala. E o amor só pode ser realmente sentido quando duas essências se encontram, é essa a grande diferença!Num encontro de duas pessoas que estejam abertas para evoluir, há sempre a oportunidade de ambos aprenderem um com o outro e crescerem. Uma relação é feita a dois, cuja base é a troca… de afeto, carinho, atenção, amizade, cumplicidade, respeito, verdade, fidelidade, amor! E quando não se está preparado para tal troca e crescimento, é muito melhor encontrar-se antes consigo mesmo para só depois se permitir encontrar-se com o outro.


Decepção, medo, angústia, mágoa, ressentimento, tristeza! Quantos sentimentos surgem no momento da separação. A dor de uma relação que se acaba só pode ser avaliada por quem a vive e, principalmente, por quem, apesar de separado, ainda sente amor. Por mais que possamos imaginar como será, não conseguimos avaliar a profundidade do sofrimento quando acontece.

Durante nossa vida, tendemos a desistir muitas vezes de continuar. Isso geralmente acontece quando esperamos atitudes e comportamentos que não acontecem; esperamos uma palavra e encontramos apenas o silêncio; esperamos o abraço e recebemos o desprezo; esperamos a presença e encontramos apenas a distância. Nos sentimos machucados, feridos, decepcionados e dilacerados em nosso simbólico coração, onde guardamos nossos sentimentos mais caros.

Quando permitimos que alguém faça parte de nossa vida é porque acreditamos que cuidará de nosso amor como se fosse dele próprio, que buscará realizar todos seus sonhos sim, mas agora a dois. Mas em algum momento parece que tudo se perde, e o diálogo vai ficando cada vez mais difícil, o aborrecimento e a tristeza começam a sobrepor-se à paz e a vontade de estar junto e, a distância se instala. É hora de fazer algo para mostrar que como está machuca muito. O mais indicado seria conversar, pensar e juntos escolher um caminho, mas quando isso já foi tentado várias vezes, quem sempre tenta vai se sentindo cada vez mais sem valor, inseguro, sem forças, e tentar mais uma vez seria o mesmo que admitir isso.


Repensar na relação sozinho implica numa decisão unilateral, que nem sempre significa o melhor e muito menos corresponde aos sentimentos de quem toma a decisão; pois qualquer decisão tomada irá refletir na vida das duas pessoas, então nada mais do que justo dessa decisão ser tomada juntos, onde cada um possa expressar seus sentimentos e chegar a uma conclusão, respeitando os sentimentos e desejos de ambos. Mas nem sempre isso se torna possível, especialmente, quando um dos dois se cala e se afasta, dando ao outro o direito de se sentir menosprezado, rejeitado, abandonado e só. Sentimentos que machucam, não só pela ausência do outro, mas também por tudo que é levado junto com sua partida, ou seja, todos os sonhos que foram partilhados juntos e que agora não fazem mais sentido de existir sem o outro que se foi.

Aqueles que viveram a experiência do abandono quando crianças encontrarão muito mais dificuldade em aceitar ou elaborar momentos como este, pois sentirão novamente a angústia do abandono e/ou rejeição, desencadeando assim de seu inconsciente um passado que tanto machuca e que agora é refletido em suas reações físicas e emocionais. Quando, ao contrário, houve uma infância de afeto, segurança, presença; quando adultos, enfrentarão momentos da separação com muito mais serenidade, tranqüilidade e menos sofrimento.


Dizer acabou, não quer dizer deixei de amar, por mais que possa parecer; talvez, esteja mais próximo de um sonoro grito que diz: acorde, estamos nos perdendo, vamos mudar, mas juntos. Colocar um final, mesmo com o coração partido, chorando, sangrando, pode ter sido motivado muito mais pela rejeição e desprezo sentidos com o silêncio, a distância, indiferença, falta de preocupação e cuidado com tudo aquilo que um dia foi motivo de união, do que corresponder ao desejo de realmente separar-se. E quem sabe pode significar muito mais uma busca desesperada de salvar o que ainda há dentro de cada um: o amor! Separar pode ser a esperança de renovar, fazer o outro pensar, um convite para a reflexão dos próprios sentimentos e do que levou ao fato em si e lembrar que enquanto houver amor, nunca haverá motivos suficientes para desistir.

E neste turbilhão de sentimentos, nessa mistura de alívio e sofrimento, angústia e dor, da presença constante à distância presente; abafamos nossos sentimentos, adormecemos nossos sonhos, calamos nossas vozes, sufocamos nossas emoções, como se fossemos capazes de evitar sentir a dor do presente e a saudade do passado, dos momentos vividos juntos e congelados em nossa memória, de tudo aquilo que vivemos e principalmente, do virmos a viver.

E quando a noite chega, sem TV, rádio, jornal, e-mails, celular, trabalho, pessoas ou o que quer que possa fazer com que não pense ou contribua para fugir do que sente e você se recolhe em seu silêncio, talvez os pensamentos invadam sua mente e o farão lembrar e refletir o que aconteceu. Em seu íntimo, sentirá a solidão e o vazio do que não mais existe, existirá o eu e não mais o nós, quem sabe neste momento poderá de novo valorizar e desejar o juntos ao sozinho, o falar ao calar, partilhar ao dividir, a paz a briga, espiritualidade ao poder e dinheiro, humildade ao orgulho, o diálogo ao silêncio, a proximidade a distância. Quem sabe depois de se encontrar e rever todos esses valores, você poderá permitir-se amar e ser amado e, juntos voltar a sonhar!


Muitas vezes, somos vítimas de agressões que nem sempre nos damos conta e que com muita freqüência acontecem entre pais e filhos, famílias, casais, pessoas que se amam, enfim, nas relações cotidianas. Muitas delas nos causam culpa, doenças, conflitos. Parece ser difícil perceber essas agressões e, principalmente, os ferimentos que causam, pois em geral só é enfatizada a violência física e explícita. As agressões silenciosas nem sempre deixam marcas externas, físicas e visíveis, mas conseguem deixar marcas eternas.

Muita violência velada é transmitida pelas famílias nas entrelinhas da comunicação diária, mediante conselhos, avisos e cuidados que nos impedem de entrar em contato conosco e com nossas necessidades. Quantas famílias, ainda nos dias de hoje, ensinam que sentir e expressar sentimentos é sinal de fraqueza? Quantas vezes não fomos ou somos comparados com o irmão que é mais inteligente e que tira as melhores notas? Ou ainda, as críticas sob o legado, que são construtivas e para “nosso bem”? Que “bem” é esse que nos lembra a todo o momento que tudo que fazemos é errado? Por que é tão difícil elogiar o outro, valorizando o que faz de bom? Talvez por que irá percebê-lo como melhor? É mais fácil e tão somente, criticar?

Quantas pessoas não percebem que continuamente agridem do mesmo modo que foram agredidas? E quantas outras não permitem ser agredidas mesmo adultas? Quantas pessoas por medo permanecem acorrentadas, sem motivação interior para mudar, preferindo o comodismo, conformismo, aceitação, ainda que isso traga muito mais sofrimento que a mudança em si? Por que as pessoas esquecem que ao nascer todos trazemos dentro de nós a potencialidade para ser feliz e viver em paz? O controle e as manipulações estão presentes para dominar as emoções do outro e, inconscientemente, limitar seu crescimento.

Será que as pessoas são conscientes do quanto foram ou são vítimas da agressividade silenciosa ou o quanto reproduzem essa mesma agressividade sem se darem conta? Digo vítimas, pois constantemente são feitas com crianças. Será que o agressivo percebe quanto destrói a si mesmo e todos que estão à sua volta? Muitas vezes são pessoas tão destruídas por dentro que nem se dão conta da própria dor ou agressividade, ignorando esses comportamentos por considerá-los “normais”.

As agressões silenciosas são sutis e nem sempre são fáceis de serem percebidas, e por isso, perigosas. Muitas vezes são simples gestos, olhares, que reprovam, censuram, julgam. Em muitos casos, podem gerar doenças e quase sempre aquele que adoece num grupo familiar, inconscientemente, revela a doença latente do próprio grupo, sendo freqüentemente aquele que procura ajuda, não por ser o mais doente, como muitos acreditam, mas sim o mais sensível. O perigo é reforçado pelo aspecto repetitivo das atitudes agressivas, fazendo com que os envolvidos se acostumem com tais atitudes, podendo ser consideradas normais tanto por quem faz como por quem as recebe. Muitas pessoas mantêm relacionamentos afetivos mesmo quando não há respeito, carinho, afeto, com total desinteresse pelo que faz e, principalmente, pelo que sente; da mesma maneira que foram tratadas durante suas vidas e acabaram se acostumando a essa realidade. Não conseguindo identificar a origem, os padrões se repetem, pois nem sempre há a consciência da agressão recebida. O que pode levar ao outro extremo, sentir-se agredido mesmo que não tenha sido, interpretando erroneamente alguns fatos e agindo também de modo agressivo.

Um exemplo muito simples é quando se referem a alguém como “coitado”, isso pode gerar um sentimento de alguém como incapaz de se defender. Ou ainda, quando ouvimos: “fiz por você”, ou “não me separei por você”. A princípio pode parecer uma frase de alguém preocupado com nosso bem-estar, uma aparente valorização, mas na verdade, revela uma provocação para que se sinta culpado, como se fosse: “veja como me sacrifico por você”. Ou quando foi fazer um desabafo e foi julgado em seus sentimentos, como se sentiu? Uma pessoa constantemente desvalorizada em tudo que faz, pensa ou sente, tratada com indiferença, desprezo, dificilmente acreditará em si mesma. E isso não é uma agressão silenciosa? Há muitos outros exemplos, basta lembrarmos com atenção frases que ouvimos, gestos que observamos, perguntas ou comentários que nos constrangem ou nos induzem a não reagir ou nos defendermos. Tudo aquilo que nos fere, nos agride, ainda que não seja pela violência explícita, com tapas e berros, pode ser considerada uma agressão silenciosa.

Passe um filme mentalmente sobre sua vida e perceba quantas agressões silenciosas não gritam ainda hoje, talvez depois de anos, dentro de você. Perceba quantas vezes se sentiu agredido e por não reconhecer esse fato, ainda se permite ser. O conhecimento dessas agressões pode ser muito doloroso, mas não será mais doloroso e destrutivo manter esses padrões? Só identificando seu sofrimento poderá buscar soluções e mudar aquilo que acredita ser necessário mudar. A dor será muito menor do que continuar ignorando as agressões que viveu, ou ainda, se permite viver.


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Uma das queixas mais comuns das pessoas são os conflitos internos e nos relacionamentos causados pelo sentimento de inferioridade. Quantas pessoas não se sentem inferiores aos seus colegas de trabalho? Não buscam uma promoção por não se sentirem capazes? Não terminam um relacionamento destrutivo por acreditarem que não conseguirão ninguém que as trate bem? Estão sempre se comparando ao irmão, irmã, vizinho, tendo a certeza que o outro é muito mais? Outros deixam de trabalhar, sair, viver, tudo porque se sentem inferiores aos demais.
A denominação complexo de inferioridade foi criada por Alfred Adler (1870-1937), médico psiquiatra, para designar sentimentos de insuficiência e até incapacidade de resolver os problemas, o que faz com que a pessoa se sinta um fracasso em todos, ou em alguns aspectos de sua vida. É o que hoje chamamos de baixa auto-estima, que é quando não se tem consciência de seu valor pessoal. A baixa auto-estima pode comprometer todos os relacionamentos, seja pessoal, profissional, afetivo, familiar, social.
Adler afirmava que todas as crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade, que é uma conseqüência do tamanho da criança e de sua falta de poder perante os adultos. O que desperta em sua alma um desejo de crescer, de ficar tão forte quanto os outros, ou mais forte ainda. Ele sugere que existem três situações na infância que tendem a resultar no complexo de inferioridade:
– Inferioridade orgânica:Crianças que sofrem de doenças ou enfermidades com deficiências físicas tendem a se isolar, fugindo da interação com outras crianças por um sentimento de inferioridade ou incapacidade de competir com sucesso com outras crianças. Contudo, ele salienta que as crianças que são incentivadas a superar suas dificuldades tendem a compensar sua fraqueza física, além da média, e podem desenvolver suas habilidades de maneira surpreendente. Por exemplo, se dedicam a uma atividade física para compensar a deficiência.
– Crianças superprotegidas e mimadas: Essas crianças podem desenvolver um sentimento de insegurança, por não sentirem confiança em suas próprias habilidades, uma vez que os outros sempre fizeram tudo por elas.
– Rejeição: Uma criança não desejada e rejeitada não conhece o amor e a cooperação na família. Não sentem confiança em suas habilidades e não se sentem dignas de receber amor e afeto dos outros. Quando adultos, tendem a se tornar frios, duros, ou extremamente carentes e dependentes da aprovação e reconhecimento de outras pessoas. Quanto mais necessidade de ser aprovado e reconhecido pelo outro, mais se desenvolve a necessidade de agradar. Isso faz com que as pessoas deixem de ser elas mesmas, tornando-se o que os outros gostariam que fosse, ou o que pensa que gostariam, reforçando cada vez mais o sentimento de inferioridade, pois não satisfazem a si mesmas.
Não são apenas as situações citadas acima que podem fazer com que a pessoa se sinta inferior, podem existir muitas outras ocorridas durante a infância, mas essas explicam a origem do termo utilizado e podem resultar em isolamento, falta de interesse social e cooperação. Todos sabemos que não é nada fácil para uma criança com alguma doença ou deficiência física conviver socialmente, pois as crianças em geral são implacáveis em brincar com as dificuldades de seus colegas, gerando vergonha, medo e a necessidade de se isolarem com o intuito de evitar ser alvo de piadas. Diante dessa realidade, é muito importante que os pais apoiem seus sentimentos e não os menosprezem; fazendo-a perceber que há muitas outras qualidades e que seu potencial pode ser desenvolvido. Do contrário, crescerão com muita dificuldade em acreditar em si mesmas, pois irá depender de como cada um irá lidar com esses aspectos.A superproteção durante a infância pode realmente gerar muita insegurança quando adulto, pois estas pessoas quando crianças não foram incentivadas a acreditarem em si mesmas. Assim, crescem, ainda que inconscientemente, acreditando que faziam tudo por ela por não ter a capacidade de fazer por si mesma. O que não é verdade! Todos temos potencial, a diferença é acreditar neles ou não.A rejeição, assim como o abandono, também pode gerar o sentimento de inferioridade.
Adler enfatizava ainda a importância da agressão, no sentido de lutar por sua capacidade de superar obstáculos e acreditar em si. Muitas vezes, a agressão pode manifestar-se como poder, superioridade e perfeccionismo, porém a busca pela superioridade como compensação pode tomar uma direção positiva ou negativa. Pode ser positiva e saudável quando motiva para realizações construtivas e na busca de crescimento. Será negativa e destrutiva quando existe uma luta pela superioridade pessoal, dominando os outros através do poder, podendo desenvolver a ambição (busca o crescimento material, deixando de lado pessoas e fatos significativos em sua vida) e inveja (desejando ter tudo o que o outro tem, mas não se sente capaz de conseguir por si próprio); tudo para compensar seu sentimento de inferioridade. A capacidade do outro sempre é percebida como maior que a própria capacidade, sentindo-se sempre inferior. Esse sentimento pode fazer com que a pessoa se acomode na situação. Ainda que isso lhe traga insatisfação e tristeza, nada faz para mudar, pois não se sente capaz ou com forças.
Muitas vezes nos deparamos com pessoas que demonstram ter uma total confiança em si mesma, mas, se observarmos melhor, perceberemos que na verdade são máscaras para compensar seu sentimento de inferioridade, não refletindo seu verdadeiro sentimento em relação a si próprio, ou seja, sua essência. Mas o que fazer quando somos adultos e sentimos medo, vergonha, ou seja, ainda sentimos essa inferioridade perante os outros? O mais indicado é:
– Evitar as comparações. Ficar se comparando com quem quer que seja não o fará se sentir melhor, pois as pessoas são diferentes, possuem necessidades, desejos e históricos de vidas diferentes.
– Compreenda seu histórico de vida e a origem de seu sentimento de inferioridade. Por qual motivo se sente inferior? Não desista, compreenda suas dificuldades e procure enfrentar cada uma delas.
– Enfrente o medo. É importante lidar e enfrentar o medo que as pessoas ou situações provocam e compreender que a percepção de si mesmo está baseada na conseqüência de fatos que já passaram. Você não pode mudar seu passado, mas pode mudar seu presente.
– Reconheça seu valor. Perceba que seu valor enquanto pessoa não pode e nem deve ser baseado na maneira como foi, ou ainda é tratado, ainda que isso tenha durado toda sua vida. Não permita mais ser desrespeitado ou maltratado. Lembre-se ainda que seu valor deve ser baseado pelo que é e não pelos bens materiais que possui.
– Identifique suas necessidades emocionais. O que você espera receber dos outros pode ser aquilo que não recebeu quando criança de seus pais. Não espere receber dos outros o que só você mesmo pode se dar.
– O que você deseja receber na relação afetiva? Muitas vezes os conflitos gerados no relacionamento têm origem em seu histórico de vida.
– Observe e procure compreender cada um de seus sentimentos. Perceba quando sentir inveja, ciúmes, necessidade de poder ou superioridade. Esses sentimentos podem estar ocultando e compensando um sentimento de inferioridade.
– Aprenda com os erros e não fique se punindo por ter errado, nem se acomode nas situações. Saia de sua zona de conforto e mude o que deseja!
– Valorize sempre suas conquistas! Pare de supervalorizar o que o outro tem ou faz e desvalorizar as próprias conquistas. Celebre sempre!
– Faça psicoterapia. O autoconhecimento obtido através do processo da psicoterapia poderá fazer com que reconheça seus reais valores e liberte-se do complexo de inferioridade que acorrenta e aprisiona.

A dádiva de viver

“De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver junto e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: ‘No princípio era o verbo’. Eu acrescento: ‘Antes do verbo era o silêncio.’ É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra, se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio.”

– Rubem Alves


Você sabe ouvir o seu filho, mulher, chefe, colega de trabalho ou amigo? A tarefa não é tão fácil quanto parece, porque ouvir é “deixar de lado a sua onipotência, não ter controle da situação, mas se despojar do próprio narcisismo. É preciso colocar a virtude da humildade no lugar da arrogância”. É assim que a escritora e psicanalista Ana Cecília Carvalho reconhece o ato de ouvir, “que não se aprende em nenhum manual de auto-ajuda, mas por meio de experiências pessoais”. Ela, por exemplo, passou por uma experiência enriquecedora com um velho amigo. “Ele me esperava chegar às reuniões sociais com muita expectativa e até com uma certa ansiedade. Quando eu aparecia, lá estava ele sentado, sozinho e quieto, e ia logo dizendo que era muito bom me ver, porque a partir daquele momento, ele poderia ficar em silêncio, sem dizer nada.”

Saber ouvir, segundo Ana Cecília, é aprender a ficar em silêncio. “É dar espaço para o outro falar o que quiser. E se não quiser, não dar importância, desde que um dos dois suporte bem o silêncio. Uma pessoa escuta melhor quando suporta não ter o que dizer”, explica.

Em um de seus artigos, o escritor Rubens Alves também reconhece que “não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa pára, por não ter o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim ao silêncio”. Em uma de suas obras, ele inclui um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. “Ali estamos, nós, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou para o chão? Nada temos para falar e esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Então, falamos sobre o tempo. Mas nós bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.”

Segundo ele, os orientais entendem melhor o silêncio. “Se não me engano, o nome do filme é Aconteceu em Tóquio, com duas velhinhas que se visitavam. Por horas, elas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam, porque no silêncio delas morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer. Mas porque o que tinham a dizer, não cabia em palavras”. E completa: “A filosofia ocidental é obcecada pela questão do ser, mas a oriental valoriza o vazio, o nada. É no vazio da jarra que se colocam flores”.

A profissão de psicanalista é baseada no ato de ouvir, mas fora do consultório, Ana Cecília não pode ficar escutando o inconsciente de todas as pessoas, em todos os lugares. “Embora seja possível, não posso fazer uma boa escuta, que tem a ver com o interesse de um indivíduo pelo outro. Não por curiosidade, mas por um interesse genuíno. Para escutar, tenho que calar os meus ruídos internos, para deixar o outro falar. E dar valor ao que está sendo dito.”

Apesar de reconhecer que o silêncio é significativo, não tem como fugir do equívoco. Tanto do silêncio quanto da fala: “Portanto, saiba bancar as conseqüências das suas palavras e também do seu silêncio”, diz.

No palco


A frase que o ator, diretor e roteirista de cinema Cláudio Costa Val, de 38 anos, mais ouve dos filhos adolescentes é “meu pai não me escuta”. Com 16 e 13 anos, Felipe e Pedro estão na fase de questionamentos, e o pai confessa que peca por não ter tempo suficiente para uma longa e boa conversa. “Na medida do possível, tento ouvir e conversar, mas reconheço que deveria ser com mais freqüência.”

Nas relações de amor também há muita cobrança. Casado e separado pela segunda vez, Cláudio reconhece que as companheiras também o criticam por não ouvir o que elas estão dizendo. “Sou um cara mais calado, o que não quer dizer que não estou escutando. Ouvir é diferente de escutar, da mesma forma que enxergar é diferente de ver. Tem pessoas que ouvem, mas não escutam. Outros, enxergam, mas não vêem, porque estão preocupados consigo mesmos.”

Com os casais acontece o mesmo: “Apesar de gostarem um do outro, não conseguem se fazer entender nem ouvir, o que vai minando o relacionamento, até provocar um afastamento real”. Cláudio acha que é mais fácil falar bobagens do que ficar em silêncio, mas reconhece que há um momento em que ele se cala. “É quando estou no processo de criação como agora, com a finalização de dois filmes, um no Rio e outro em BH, e desenvolvendo um roteiro para um curta-metragem. “Nessa fase, não quero conversar. Fico introspectivo.”

O grande ator, segundo ele, é o que escuta “o colega com o qual está contracenando. A maioria, porém, se preocupa mais em dizer o texto, em detrimento de ouvir o que o outro está falando. Arte é saber ouvir e sentir o outro em cena”.

Déa Januzzi


Por Márcia Bruno

Pensemos um pouco sobre a expressão “com tato”…

Falar, agir com tato significa ser cuidadoso, delicado, respeitoso. Mas é também agir e falar através do sentido do tato, do contato entre peles, entre corpos. Talvez por isso a expressão tenha se impregnado desse significado de delicadeza e cuidado. Falar com o tato é comunicar-se através da linguagem corporal mais arcaica e profunda, primordial.

Dentro da barriga da mãe o tato é o primeiro sentido que se desenvolve. Vamos crescendo dentro de nossa mãe imersos em sensações táteis, até chegar um ponto em que as costas e o útero parecem fundidos, como um abraço contínuo, que nos estimula e acolhe. Essa comunicação afetiva é estabelecida na origem através da linguagem corporal. A função psíquica, então, se apóia e se desenvolve a partir da vivência corporal. Esta vivência, no quadro de uma relação segura, dá acesso a um sentimento de base que garante ao sujeito a integridade do seu envelope corporal.

As mãos são as partes do nosso corpo que mais se ligam ao significado amplo do tocar. São elas que freqüentemente realizam a experiência do contato. E é através delas que emitimos mais energia do nosso ser, podendo, assim ampliar nossas possibilidades de encontro com o outro.

Dentro desta perspectiva, o toque é um elemento muito potente, pois faz referência a uma das primeiras memórias somáticas do ser humano. Ao tocar o corpo de uma pessoa, tocamos na história de vida desse sujeito, pois nosso corpo imprime todos os registros emocionais.O trabalho terapêutico pela via do toque torna-se muito potente, na tentativa de restabelecer essa comunicação tátil primária. Enquanto terapeuta corporal, tenho possibilidade de acompanhar o indivíduo, utilizando massagens e percursos apropriados com intenções precisas, em seu processo de desenvolvimento pessoal. Meu lugar, nesta relação é de uma “parteira”, possibilitando o reconhecimento da profunda existência da pessoa, viabilizando a expressão de sentimentos, sensações e /ou imagens e promovendo a diluição da tensão nervosa. Ou seja, a capacidade de dissolução e regulação de “resíduos” emocionais, a partir da descarga metabólica.

O registro é o da sensação, tornando-se possível o relaxamento do controle mental para a conexão com o universo sensorial. Nesse espaço é viável conectar um outro ritmo, uma outra respiração, e resgatar a confiança no seu ser orgânico, no seu ser corporal.

Psicopatas `leves´ pesam muito

por Bel Cesar

“Quem não conhece um “leve” psicopata? Depois de ter lido o livro “Mentes Perigosas”, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, você vai ver que conhece, e muitos!

Eles são narcisistas, egocêntricos. Pensam muito e sentem pouco. Tomam decisões a partir de como podem ser beneficiados com prazer, auto-satisfação, poder, status e diversão.

Além de terem o prazer no “errado”, isto é, de nadar contra a corrente, facilmente se ofendem e tornam-se violentos, pois não suportam contrariedades. São sempre vítimas.

Intolerantes ao tédio ou a situações rotineiras, os psicopatas buscam situações que possam mantê-los em um estado permanente de alta excitação. Por isso, evitam atividades que demandam grande concentração por longos períodos. Compromissos e obrigações nada significam para eles.

Naturalmente, pessoas assim não são confiáveis. Eles mentem, manipulam e chantageiam sem a menor dificuldade. Inteligentes, manipuladores, especializados no assédio psicológico, sabem convencer os outros. Eles conhecem as fraquezas alheias, apesar de não serem capazes de sentir o que os outros sentem.

Um dado importante: todo psicopata, de grau mais leve ou mais alto, tem consciência de seus atos, mas não sente a dor que causa nos outros, porque simplesmente seu cérebro não funciona assim.

Vamos compreender isso melhor. A grande maioria dos seres humanos é formada de empáticos: o sofrimento alheio provoca dor neles mesmos, o que os leva a tentar ajudar seus semelhantes. Ajudar o outro é uma forma de aliviar a dor que este lhes causa. Desta forma, nosso cérebro nos leva a ter comportamentos que garantem a harmonia social.

De modo simples e didático, podemos resumir nosso cérebro em duas importantes áreas: o sistema límbico (a sede das emoções) e o lobo frontal (sede do raciocínio).

Uma pessoa empática é capaz de ter ações compassivas e socialmente adequadas pois, como seu sistema límbico é ativado por emoções básicas, como raiva e medo, ele envia sinais para o lobo frontal onde são ativadas as áreas responsáveis pelos aspectos cognitivos – frios e racionais, assim como o julgamento moral.

Estudos comprovam que 4% da população mundial sofre de um déficit nos circuitos do sistema límbico, que deixa de transmitir, de forma correta, as informações para que o lobo frontal possa desencadear comportamentos adequados. Ou seja, chegam menos informações do sistema afetivo para o centro executivo do cérebro. Assim, o lobo frontal, sem dados emocionais, prepara um comportamento lógico e racional, mas desprovido de afeto. Por isso, eles têm consciência de seus atos, mas não sentem a dor que causam nos outros!

Desta forma, os psicopatas não sentem medo nem ansiedade: parecem imunes ao estresse. Permanecem calmos em situações que fariam muitas outras pessoas entrar em pânico. São indiferentes à ameaça de punição. Eles têm até dificuldade de reconhecer medo e tristeza nos rostos e nas vozes das pessoas.

Uma vez que admitimos que uma pessoa é assim, biologicamente incapaz de se responsabilizar por suas ações, ficamos atônitos. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, estas pessoas nascem assim e irão morrer assim. Então, desista de querer mudá-los!

Mas, como lidar com eles? Como sentir compaixão por estas pessoas capazes de ferir e destruir a vida de tantas outras pessoas?

Tenho pensado bastante sobre isso. Em primeiro lugar, creio que seja importante admitirmos que certas pessoas são mesmo assim. Não precisamos rotulá-las de psicopatas, associando-as com pessoas criminosas e intencionalmente agressivas. Apenas reconhecer que certas pessoas são mesmo um pouco assim.

Um pouco é um dado relevante. Reconhecer este pouco já vai nos ajudar muito! Pois passaremos a investir nos relacionamentos com uma moeda de troca mais real e coerente.

Por exemplo, quando alguém nos mantém refém de suas promessas. Parece que o melhor está sempre por vir e que cabe a nós, tão somente a nós mesmos, saber conter nossa ansiedade, nos responsabilizarmos pelos danos da espera e “confiar neles”. Como pessoas empáticas, não somos impulsivos. Mas, quando as promessas revelam-se mecanismos de controle para manter a situação vigente, devemos abrir os olhos!

Nestes casos, segue aqui um conselho: não confunda o que uma pessoa diz ter para oferecer, com ela mesma. Sua capacidade de realizar o que diz não é real!

Portanto, a primeira coisa a fazer é ajustar a intenção com que as promessas são reveladas, com a realidade concreta dos fatos. Uma vez recuperada a lucidez de nossa real situação, temos que nos preparar para olhá-la sob uma nova perspectiva. Como diz o velho ditado: “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Pare e reflita. Você está sendo refém de alguma promessa manipuladora? Caso a resposta seja sim, calma. Mesmo consciente de sua limitação, será preciso ir aos poucos. Procure ajuda daqueles que souberam reconhecer e superar relacionamentos semelhantes. Uma vez livres de tal jogo sedutor, poderemos ter compaixão por eles. Mas, antes disto, é preciso nos curar.

Lembre-se, eles não mudam e não será você que irá provar o quanto é boa e capaz ao tentar mudá-los!”

Por Paulo Madjarof Filho

Mais do que o tempo verbal, “presente” é a representação material-concreta de uma intenção, um sentimento – que não necessariamente de carinho. É a manifestação comportamental de um pensamento, uma emoção.

Em suas expectativas, o presenteador idealiza a receptividade e a repercussão em relação ao presente oferecido, de acordo com suas ambições: conquistar afeto, ser promovido, ser perdoado, construir uma imagem positiva, demonstrar poder, comprar confiança, controlar, atender uma obrigação, etc.

O presente pode também comportar uma intenção escusa ou mesmo destrutiva, aniquiladora – ou seria o mal disfarçado na forma de presente? (os troianos que o digam!). Neste caso, nem sempre pode se afirmar: “a intenção é o que vale”.

Algumas pessoas constrangem-se ao ser objeto do presenteador, outras, ao contrário, se comprazem. Uns fazem questão e se sentem confortáveis ao presentear, enquanto alguns lamentam e evitam. Muitas vezes, retribuir o presente recebido indica apenas uma compensação, uma equivalência; “o empate do jogo”.

O presenteador se posiciona em relação à intenção e o caráter de seu presente, especialmente pela ligação que tem com o presenteado. Se esta for de natureza profissional, por exemplo, as intenções agregadas ao presente são intencionalmente interesseiras. No caso, valoriza aspectos que presumem, pelo menos, o não-desagrado.

Quando o presente é de natureza afetiva, há o esmero nos detalhes, como prova de dedicação e de atenção, de que se importa com a outra pessoa. O perfume do cartão e as palavras escritas, a embalagem dedicada, e, se for algo de uso pessoal, o número certo, a cor de preferência, a grife preferida.

E você, gosta de presentear ou ser presenteado? Independente de sua resposta, pense honestamente sobre o último presente que você ofereceu a alguém e sobre o último presente que você recebeu. Qual as verdadeiras intenções contidas? Pense nisso!


“Quão desesperadamente difícil é ser honesto consigo mesmo. É muito mais fácil ser honesto com as outras pessoas.” (Edward Benson)

“Para fazer boas coisas no mundo, primeiro você precisa saber quem é você e o que dá sentido à sua vida.” (Robert Browning)

“A verdadeira profissão do homem é encontrar seu caminho para si mesmo.” (Hermann Hesse)

“Poucos são aqueles que vêem com seus próprios olhos e sentem com seus próprios corações.” (Albert Einstein)

“A vida não examinada não vale a pena ser vivida.” (Sócrates)

“Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos.” (Carl Gustav Jung)

Várias vezes no flog já apontei o auto-conhecimento como solução para 90% dos nossos problemas emocionais e mentais.

O que seria o auto-conhecimento? Segundo o dicionário, conhecimento pode ser noção, informação, experiência, trato e relação intima; tudo isso consigo mesmo…

Quando conhecemos uma pessoa, geralmente ela se apresenta, dizendo que é isso e aquilo (na maioria das vezes qualidades). Quando passamos a conhecé-la melhor, frequentemente descobrimos, que ela não é nada daquilo que apresentou. Ele mentiu então? Não necessáriamente, as vezes ela acredita naquilo que ela disse. ELA NÃO É HONESTA CONSIGO MESMA.

O Betinho tem uma frase que me deixa louco as vezes, quando lhe pergunto sobre algo na sua vida, que ele não analisa: “Não parei ainda para pensar sobre isso.”

Ele não é o único porém, que se recusa a olhar para as coisas incómodas, empurrando-as para bem longe. Se a gente se recusa a olhar, os efeitos da nossa omissão se recusam a desaparecer. Simples assim. Se temos alguma situação incómoda em nossa vida, que insiste em voltar sempre, podemos ter a certeza, de que ela nos quer chamar atenção para algo que está errado dentro de nós…

Se alguém não consegue ficar sozinho, precisa estar rodeado de pessoas que o distraem o tempo todo, o que há dentro dele que ele não quer ver? Aí, sai de uma relação e já entra na outra e a situação vivida parece se repetir, porque sequer fez um balanço de si mesmo para verificar o que não estava indo bem….

Eu tenho a consciência de que muitas coisas que eu sinto e simplesmente sei, são difícieis de serem traduzidas com palavras. Seria mais ou menos igual aquele livro “O segredo”, onde o autor narra coisas, que muita gente entende, mas não conseguem aplicar a longo prazo…

Algo é certo, o auto-conhecimento é condicionado a mudanças e é justamente disso que muita gente tem medo. Falei com amigo meu da Suiça ontem, que me disse que os pais dele, já velhinho, fazem todo dia a mesma coisa. Para ter um pouco de emoção, eles brigam ou entre si ou com os vizinhos…

Hoje, eu quero brigar comigo. Quando eu tenho alguma discórdia ou discussão com alguém, eu analiso a MINHA parte da briga, o que o outro fez de errado já não me interessa mais, porque identificar isso é muito fácil, mas não vai me fazer progredir.

O que eu pretendi? Pelo que briguei? O que me causou tamanho irritação? Exemplo de uma amiga que sempre fala do seu pessimo relacionamento que tem com seu pai. Ela fica focado nele, quando eles tem desentendimentos ao invés de botar o foco nela. Pelo que ela fica tão irritada? (isso não pode ser explicado com “porque”, tipo, ele fez isso e aquilo no passado) O problema não mora mais no passado, mora no hoje… Não podemos mudar o outro, mas podemos mudar como queremos e vamos sentir a respeito do outro….

Falei para uma amiga minha ontem: Se estiver insatsfeita com as mesmas respostas que a vida insiste em te dar, MUDE AS PERGUNTAS! O passado somente deve existir para que aprendamos com ele. Se ele servir para alimentar traumas ou nos paralisar, está na hora de abrir a lixeira mental.

Tampouco adiante querer controlar o futuro. Há 50 anos atrás nunca se imaginou que a aviação fosse ficar tão instável para se trabalhar ou que pudessem perder toda previdência privada: Ser comissária de bordo era A profissão… Quando cheguei em 88, muitos queriam trabalhar no Banco do Brasil, como hoje querem na Petrobrás ou no serviço público, pela simples estabilidade ou pela segurança…

Eu estou há mais 2 meses abstinente de bebida e fiz várias descobertas, tanto a respeito de mim, quanto a respeito dos outros e também a respeito da sociedade. Eu escuto muito a expressão “é difícil”, quando alguém quer mudar seus hábitos: largar o cigarro, a bebida, perder peso, comer de maneira mais saudável, etc etc…

Ouso afirmar: somente é difícil, porque essas pessoas não estão dispostas a se conhecer, que é muito doloroso as vezes… Mais fácil ficar fugindo com hábitos nocivos. Quando recebe-se uma arma apontada na cabeça através da boca de um médico que tem o resultado do exame na mão, aí todos “os é difícil” desaparecem, porque todo que mais queremos é QUALIDADE DE VIDA…

O tema “auto-conhecimento” ainda é pouco explorado e que estamos gastando muito tempo para falar da vida dos outros ou nos entorpecendo com drogas, comida, bebida, estética e sexo, etc. Eu coloco a maledicência na mesma categoria, porque Jesus nos ensinou duas coisas a respeito: Que a gente enxerga o espinho no olho do outro, mas não vemos a trave em nosso próprio olho, e o que sai pela boca torna o ser humano impuro, não o que entra…

Se a gente se auto-observar com o mesmo senso crítico, é bem provável que descobrimos a razão dos síndromes tão difundidos na sociedade de hoje. Ou são uma tentativa de fuga, ou simplesmente nos recusamos a aceitar um fato consumado (morte de alguém por exemplo), ou então queremos a atenção dos outros e escolhemos a pior forma para isso. Mas como tudo tem que ser FÁCIL (sempre que damos uma sugestão para melhorar alguém, entra os “mas-é-difícil-de-plantão” em ação), pagamos um médico ou um psicólogo com a incumbência de nos curar… “Eu me curar doutor, ah não, da muito trabalho, me dê um remédio para ludibriar os efeitos da doença”. Sim, efeitos, porque a raiz continua lá!!!!

Se a gente passa a se conhecer, a gente se aceita (assim como aceitamos o outro) e consequentemente se gosta. Se eu não me conheço, eu não posso me amar. Um gordo se ama? CALMA!!! Estou falando de gordo sem vergonha, ele está uma baleia, porque não tem qualquer limite e todas as possibilidades de emagrecer, se ele realmente quiser. Eu ouso dizer que não se ama. Imagina um coração que foi projectado para bombear sangue para um peso de 70 kg. Mas a pessoa está com 90. Ele ama seu coração? Seria mais ou menos a mesma coisa: um elevador foi projectado para suportar 10 pessoas, mas todos os dias andam 14 pessoas ao mesmo tempo nele. O que vai acontecer? Um desgaste enorme de peças, isso se ele não cair (enfartar)…

Vocês podem dizer que estou viajando na maionese e muito radical. Mas a natureza é radical, ela ensina que tudo tem consequência. Aqui no Rio, se o canal do Leblon não for dragado constantemente, a Lagoa Rodrigo de Freitas em pouco tempo se tornaria uma água morta e fétida. Isso é radical da Lagoa? Não, é consequência.

Nos podemos tudo, se estiver dispostos a assumir as consequências, mas quando elas vêem, a gente se vitimiza…

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” Apóstolo Paulo…


Rolf Muller