Archive for junho, 2010


Você com certeza já ouviu falar de psicologia reversa e de efeito placebo. Mas você sabia que essas técnicas muito usadas no mundo da ciência têm como base falhas do pensamento humano? E não pense que está imune delas: esses problemas acontecem com todos, independentemente de idade, sexo ou nível educacional. Confira a lista abaixo e veja quais dos 10 problemas mais comuns do pensamento já aconteceram com você.
10- A ilusão do apostador

Quando você joga “cara ou coroa” várias vezes e tira apenas “cara” seguidamente é mais provável que você tire “coroa” na próxima vez que jogar a moeda, certo? Errado. A chance de sair “cara” ou “coroa” é sempre a mesma, de 50% para cada opção (isso se a moeda não estiver alterada, obviamente). Você pensa que tirar “coroa” é mais provável por causa da chamada “ilusão do apostador”. O cérebro humano tem uma tendência a achar que eventos do passado podem alterar a probabilidade de eventos futuros, apesar de as chances serem sempre as mesmas. Pode parecer meio óbvio quando explicado dessa forma, mas vários apostadores já perderam dinheiro na roleta, no pôker e em outros jogos de azar por causa dessa falha do pensamento.
9 – Reatividade

Você está jogando paciência spider tranquilamente no escritório quando sente uma presença perturbadora. Seu chefe entrou na sala. Você subitamente fecha a janela do jogo, endireita as costas e tenta parecer atento àquele relatório. O exemplo pode parecer exagerado, mas é comprovado que os humanos tentam parecer mais eficientes e atentos quando sabem que estão sendo observados, sendo pelo chefe ou não. Um estudo feito nos anos 20, por exemplo, tentou provar que a eficiência dos empregados de uma fábrica aumentava com mudanças na luz. E, durante a pesquisa, a eficiência do pessoal realmente aumentou. No entanto, depois que a luz da fábrica foi ajustada para uma maior eficiência e os pesquisadores foram embora, os níveis de produtividade voltaram ao normal. Os funcionários da fábrica estavam trabalhando mais na época da pesquisa não por causa da luz, mas sim porque sabiam que estavam sendo observados por cientistas. A reatividade é um problema sério em pesquisas científicas, por isso, muitas vezes, grupos de referência são formados – se uma empresa farmacêutica resolve testar um novo remédio de dor de cabeça, é provável que administre um placebo, uma pílula de trigo, em um grupo de voluntários e o produto normal em outro, para definir se os efeitos são mesmo por causa do remédio ou produto da mente humana.
8 – Pareidolia

O nome parece complicado, mas essa falha é realmente comum. Lembra quando, há alguns anos, o mundo todo parou porque uma imagem da Virgem Maria apareceu em uma janela, como uma mancha? E quando você olha para o céu e pode jurar que uma nuvem se parece exatamente com um coelho? Tudo isso é fruto da pareidolia. Essa falha prega que o significado das coisas está no observador e não no que está sendo observado. Então quando você acha estranho que a vida de Michael Jackson, assim como sua morte, esteja povoada de coincidências que levam ao número 7, pode ser porque você está procurando por coincidências e não porque elas realmente influam em alguma coisa. Um fato interessante é que a pareidolia foi usada como base para aquele teste das manchas usado na psicologia. As imagens são ambíguas e a resposta de quem está sendo “entrevistado” mostraria seus pensamentos ocultos.
7- A profecia que se auto-completa

Essas “profecias” apenas confirmam atitudes que estão presentes em nós. Elas acabam causando constatações que provocam o resultado previsto. Quer um exemplo? Quando você pensa “eu odeio Física e vou levar bomba na prova” você é automaticamente desestimulado a estudar por seus pensamentos e as chances de levar bomba aumentam consideravelmente. Essa é uma técnica muito usada pelos chamados videntes. Você vai à cartomante e ela diz que há um inimigo loiro em seu caminho – logo você começa a ficar mais atento e receoso com qualquer pessoa loira que conhece e seu comportamento alterado pode até levá-lo a fazer um novo inimigo.
6- O efeito do halo

Um dia você chega no trabalho e encontra seu colega cochilando. No outro dia ele está fazendo a mesma coisa, assim como nos dias seguintes. Logo você começa a considerá-lo um preguiçoso. Temos depois ele não só é preguiçoso como não é confiável, é incompetente e, com certeza, um mau trabalhador. Podem haver outras razões pelas quais ele está cochilando naqueles dias, talvez tenha trabalhado até de madrugada a semana inteira, mas logo uma atitude faz com que reconsideremos toda a personalidade do sujeito de forma negativa.
5 – Mentalidade de gado

É a tendência que temos de adotar as opiniões e os comportamentos da maioria para evitar o conflito. Alguns especialistas dizem que o caso de Geisy, da Uniban, foi causado exatamente pela mentalidade de gado. Essa falha explica porque certas modas pegam logo – o que é necessário é que um grupo ache um tipo de pulseira muito legal e logo o costume se espalha.
4 – Relutância

A relutância é o contrário da mentalidade de gado. Para mostrar que você tem liberdade de escolha, você faz tudo ao contrário do que é esperado. Isso explica o comportamento de muitos adolescentes. Muitas vezes o jovem nem quer sair naquela noite, mas o fato de que seus pais o proibiram faz com que ele fique ansioso e saia, só para mostrar que ele pode. A psicologia reversa é, na verdade, um uso controlado da relutância. Diga para alguém fazer aquilo que você, na verdade, não quer que ele faça e ele, eventualmente, fará o que você quer – essa técnica é muito usada com crianças e com os adolescentes.
3 – O desconto hiperbólico

Você prefere receber 100 reais hoje ou 120 no mês que vem? O desconto hiperbólico é a tendência que as pessoas têm de escolher a primeira opção. Na mente humana é preferível ter um ganho menor, mas imediato, do que esperar por mais dinheiro. O atraso do dinheiro realmente influencia na escolha do indivíduo. Pode até ser que o real valha mais hoje do que estará valendo no mês que vem, mas normalmente a variação seria pequena e você ainda estaria ganhando mais dinheiro se escolhesse a segunda opção.
2- Escalada de compromissos

Quantas vezes você já esteve em um relacionamento que sabia que não ia dar certo e, da mesma forma, tentou lutar por ele? Isso pode não ser fruto de mero romantismo e sim uma falha em seu pensamento! Digamos que você esteja namorando alguém há um ano. Então você começa a perceber que a pessoa tem alguns defeitos que você não suporta. O lógico seria terminar o namoro naquela hora. Mas você já investiu um ano nesse relacionamento, então terminar seria desperdiçar seu tempo e você se compromete com a “causa” namoro, não com a pessoa, e investe mais meio ano em algo que não vai dar certo, esperando consertar tudo. Isso pode ser aplicado em outras áreas, como em investimentos econômicos ou em um emprego, por exemplo.
1 – Efeito placebo

Talvez a falha no pensamento humano mais famosa. Normalmente o placebo é uma substância neutra (como uma pílula de farinha de trigo) que acaba tendo o efeito desejado. Por exemplo, um remédio que diz ser emagrecedor e, pelo sujeito tomar aquilo todos os dias, sua mente aceita que ele está emagrecendo e todas as suas atitudes passam a condizer com isso. Ele faz mais exercícios, come mais salada e logo emagrece. Mas certos efeitos placebo ainda são um mistério – por exemplo, alguns testes mostraram que há certos sintomas de doenças que são realmente reduzidos apenas com o placebo. Logo, isso provaria o poder da sugestão da mente humana sobre o corpo?

Reencontro

O ontem voou pela janela,
Indiferente ao bater da hora
Atraído pela noite bela,
E dando adeus foi-se embora

Já se passou uma hora,
Vi a vida passar por um triz,
Te aguardo sem demora
Te quero como sempre quis

Venha! terá sempre acolhida
Sinta no beijo o meu gosto,
Sinta o que é bom na vida,
Até a brisa passar pelo rosto.

Quem sabe assim, me queira,
Um encontro, segue amando
Dos olhos perde a cegueira
Amor, ao meu lado trilhando

Juntos, nunca separados,
Que meus sonhos sejam seus,
tanto as descobertas e pecados,
Sem nunca falar em adeus.

E depois de uma vida, amados
Ver o tempo passar, sem vê-lo
Descobri que somos apaixonados,
Enquanto outros buscam, sem se-lo.

Betânia Uchôa



Perdido en ti.

Al encontrarte, me encontré,
pero me he perdido en ti…
En tus laberintos de placer,
de sensibilidad y de belleza…

Eres crisol de mi fuego cautivo,
me atrapas entre tus espacios,
dentro de ese profundo misterio,
que hay en el álgebra de tu cuerpo…

La armonía se expresa simbiótica,
en las diferencias de nuestros cuerpos,
la sensualidad fogosa nos secuestra,
desatando nuestros limites privados…

Nuestros besos como astrolabios,
escudriñan la intimidad ardiente,
bajo la profunda noche cómplice,
y la luz difusa de nuestro cuarto…

Te adueñas de mis sentidos,
destilando de la pasión el perfume,
tu ondulante y voluptuoso movimiento,
me incita erotizado a poseerte…

Cartografío con mi lengua tus regiones,
descubriendo curvas y contrastes,
el terciopelo sutil de tu piel sensible,
enciende y electriza mi irracional deseo…

Tu cabellera juega sobre mis ingles,
tu boca reclama más sangre sobre mi falo,
mi corazón responde acelerado al comando,
exponenciando potencia y hemodinamia…

Como cien caballos cimarrones,
que se vuelcan sobre ti en estampida,
penetrando los secretos de tu cuerpo,
bebiendo el cáliz de tus sabores…

Todo tu cuerpo encendido como una pira
se arquea en espasmos y contorsiones,
en el lenguaje abstracto de los gemidos,
nuestro perfecto éxtasis sincronizamos…

Desconectados del tiempo y el espacio,
entregados sin contenernos el uno al otro,
nuestras almas y cuerpos se fusionan,
estallando como explosión de supernova…

Não habito a lucidez desta morada
Nem a escusa exaltação da razão.
Só, então só, a laguna da solidão
Que perfuma minha vida nesta arcada.

Tua voz, num tom de passe secreto,
Ao átrio do desencanto, traça o trajeto
No nevoeiro da vespertina desesperança,
Despertando minha esquecida criança.

Fluem os séculos em felizes manhãs,
Entre faróis, lágrimas de orvalhos e estrelas,
Em vinhas de fé fertilizando amanhãs
E iconoclastias navegando em procelas…

Que eu não saiba escrever um romance
Nem compor uma sonata que amanse,
O ímpeto cego de tua noite, onde mergulho.
Mas hei de pincelar em versos meu orgulho!

Não habito a insanidade desta morada
Nem visto linho casto de solidão ou dor,
Mas no leito do rio que vai embora
A saudade me namora
Tanto quanto teu amor.

A existência…
de um Princípio onipresente,
eterno, ilimitado,
imutável, insondável,
impenetrável à
razão humana e além
do próprio âmbito do pensamento.
É a realidade absoluta
que existe antes
e além de toda manifestação,
é a causa eterna de todas as coisas,
sua fonte e destino último.
Este Princípio,
que os gregos
chamavam de Logos,
os ocidentais chamam de Deus
e os hindus de Parabrahman,
não possui atributos
e não pode ser descrito
de qualquer maneira concebível;
é a Causa sem Causa,
o Absoluto

Helena Blavatsky
Ísis sem Véu

Que o sol possa nascer em você
Levando a escuridão para longe
E que meu coração seja um útero para VOCÊ
Amoroso e espaçoso

Somos uma estrela nesta terra a brilhar

E o Amor é tudo que temos um pro outro
Qualquer coisa perto disso se equivale a nada
Nossa corpos juntos O Templo
Da única coisa que é ETERNA e duradoura

Nosso amor

Na eternidade deste amor que sou quero cantar por ser isso minha alma

Quando os relógios do tempo perderem suas forças e cordas este amor ainda permanecerá

Quando a ultima onda se quebrar na ultima areia branca eu ainda restarei

Mesmo quando a ultima rosa e árvore findarem minhas raízes estarão vivas

Quando o ultimo suspiro de uma raça inteira acabar, este amor que sou continuará

Quando o átomo cansar-se de seu giro e o salmão desistir de voltar pra casa

Eu continuo

Até quando o ultimo anjo despencar de uma altura que não se pode medir

Este amor cantará igual

A ultima gota da última fonte secando

Eu ainda Vivo abundante

Naquele dia que o rouxinou abandonar seu canto

Minha canção e alma ecoará universo afora ainda mais forte

Aquele dia aonde toda arte acabar e as poesias não mais conseguirem pousar e achar morada nas almas

Este amor ali vive destemido, livre e voa além


Quando a ultima das lágrimas escorrerem no face do menino

Eu ainda jorrarei criando arco iris e pavões de meu corpo

Eu digo que mesmo que o sol desista de brilhar e morra

EU SOU

E mesmo quando Deus perder espaço nos corações das criaturas

Lá estarei

Eu sou o amor!!!!

A viagem do sonho
Com a oração da noite,
quando o sol declina e se esconde,
fecha-se a via dos sentidos
e abre-se o caminho ao não-visto
O anjo do sono conduz então os espíritos
como o pastor o seu rebanho.
Para além do espaço, em pradarias transcendentes,
que cidades, que jardins ele nos mostra!
Quando o sono nos rouba a imagem do mundo,
o espírito contempla mil formas e maravilhas.
É como se habitasse desde sempre essas paragens,
já não recorda a vida na terra,
nem sente casaço ou tristeza.
O coração liberta-se por inteiro
do peso do mundo, de toda opressão,
e já nem percebe os cuidados que lhe sao dedicados
Jalal ud-Din RUMI.

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

Manoel Alegre

Esse acabou de sair do forno…talvez ainda inspirado pela belíssima lua cheia,para quem uivei no final de semana….chama-se “mundo dos sonhos”(alquimia e liberdade)
è um poema que é ,ao mesmo tempo,apimentado e transcendental…ou seja:EU!

Pena que näo me queres,que näo me ouves,que näo me vês…
Eu te contaria em forma de verso,de poesia,pois sou um cavalheiro,elegante,detesto grosseria.mas se nao queres me ouvir,sigo meu rumo,entäo…silencio os sonhos do meu sentir

no cavalgar do meu alazäo.seria um segredo só nosso,uma oraçäo entre musa e poeta,onde eu tiraria a tua roupa com as palavras…
e deixaria a tua alma nua,livre,pois isso te tornaria ainda mais bela do que já és…se isso é possível.seriam poemas de amor,que expressariam a devoçäo do meu desejo por essa pele branca e macia,por esses olhos ardentes,por esses lábios sedentos de amor…mandaria o vento levar sussurros aos teu ouvidos,
palavras indecifráveis que só os amantes entendem…me transformaria em raios de sol para aquecer o teu corpo e inebriar o teu coraçäo…seria a musica que te toca,que te deixa arrepiada,como uma língua quente que baila pela tua nuca,pelo teu pescoço e percorre o teu corpo dos pés a cabeça,por milhares de vezes,num vai e vem que beira a eternidade….seria a dança que te possui,que te pega pelos cabelos e como crinas,comanda o teu cavalgar…seria a poesia que te enlouquece,que te faz desmaiar de tanto prazer….que acaricia os teus seios,que desliza por tuas coxas,que beija os teus pés,que massageia o teu sexo e que te deixa de quatro,de cinco ,de mil….entregue a súplica,pedindo para ser domada,saciada,invadida…e te amaria com loucura,te rasgando de forma insandescida,selvagem,com fome,com ardor,com força,com intensidade,com vigor,onde o tempo pararia,universos nasceriam e morreriam,onde nos desmanchariamos num gozo que nos tornaria um só e seríamos o gozo dos deuses,de anjos e demonios e céu e terra tremeriam através da nossa carne,agora
coberta pelo pólem das flores e adormecerias em meus braços…e a cada noite eu te visitaria em teu leito,no mundo dos sonhos,onde faríamos amor,viajando pelas galáxias,na alquimia de nossas almas,irmäs,amantes,unidas,em liberdade.

Miguel Costa,filho do vento ॐ

Contadores de Histórias

“Os xamãs foram os primeiros contadores de histórias. Através das histórias se conserva o conhecimento através das gerações. A narração oral da história e tradição foi o aspecto essencial das religiões nativas.

O Contador de Histórias criava vínculo, fazia curas, clarificava a identidade, celebrava os paradoxos da vida, os divertimentos. Ele também estava presente mantendo ou criticando a história, servia de reforço cultural e religioso.

Todas as tribos tinham seus contadores de histórias. Algumas culturas tinham homens e mulheres contadores de histórias. Para ser um contador de histórias o aspirante deve dedicar-se a conhecer as histórias da comunidade, dos ancestrais, da cosmologia, e é claro ter dons de oratória e ser aceite pelos Anciões. Muitas das histórias são visões, sonhos, introspecções.

Abaixo um resumo do texto de Jamie Sams :

“Os contadores de histórias de todas as tribos e nações constroem uma ponte entre os ensinamentos tradicionais e o momento presente. As crianças aprendem com eles e aplicam as histórias em sua própria vida.

Cada história possui diversos significados e relaciona-se de forma diferente para cada pessoa. Cada vez que a história é repetida, cresce o nível de entendimento. Alguns acontecimentos da história eram repetidos de maneira diferente para que cada ouvinte pudesse perceber melhor, de acordo com sua capacidade de entendimento.
O Contador de histórias tem um posto no Conselho dos Anciões. Ele possui o dom de falar a alguém em particular sem se dirigir a ele. Todos os sábios nativos preferiam ensinar por meio de histórias a apontar directamente os defeitos de alguém. “

Todos os mestres iluminados desta Terra, sempre se utilizavam de histórias para passar suas verdades, pois eram sabedores que as vezes a verdade é muito dura para ser aceite. Veja o exemplo de Jesus que falava por meio de parábolas, de Buda , Lao-Tsé e outros.

É importante frisar que as histórias criam imagens na mente do ouvinte, que por sua vez despertam emoções, que por sua vez desperta uma bioquímica. Elas relaxam, amedrontam, ensinam, curam, entusiasmam, entristecem, alegram (…)


No xamanismo, o contador de histórias é um caminheiro entre os mundos. Não é apenas ler, para contar uma história com sucesso ela deverá vir do interior. Isto significa viver a história interiormente, o experimentar do ponto da vista de cada um dos caracteres, da caminhada e do riso, da tensão, da reflexão da advertência. Forma e conteúdo.

É visualizar cada volta da história até que você possa fazer funcionar sua imaginação como um filme; pensar profundamente sobre a mensagem subjacente a que a própria história está tentando fazer, compreender os fluxos da energia, movimentos, gestos, semblantes, respiração, pausas, dicção, etc.

O contador de histórias, então, é um mediador entre o nosso mundo conhecido e o desconhecido. Viaja pela comunidade de dragões e fadas, anjos, com as bestas mágicas e míticas. Com deuses e deusas, os heróis e os demónios.
Expressam-se acima deste mundo, passam livremente de um mundo para o outro, e ajudam-nos a experimentar outros reinos.
Também são invocadores de poderes elementares, dos poderes da transformação. Podem mostrar-nos que como confrontar nossos medos, como experimentar êxtase ou nos trazer a cara à cara com morte ou terror do espírito – com o infinito e incompreensível.
O contador de histórias vive e comunica o poder, o significado e a realidade do mito a uma profundidade que não possa ser apreciada até que experimentada. E a experiência é a palavra crucial aqui. A experiência da palavra nos conduz quando a história vem do interior.”

O xamanismo é uma filosofia de vida muito antiga, que visa o reencontro do homem com os ensinamentos e fluxo da natureza e com seu próprio mundo interior.

A sua origem é um conjunto de ensinamentos milenares que, através da tradição de tribos indígenas do mundo todo, foram sendo passadas até os dias de hoje.

Esses ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: Sol, Lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, etc…

Pode-se considerar o xamanismo como a verdadeira arte de viver.

Ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, os antigos xamãs puderam perceber sua conexão com o todo. Desta forma, e se abriram para a aprendizagem daquilo quem realmente somos e tornaram-se capazes de elevar a consciência e se relacionar com outras realidades e dimensões, assim como manter plena e perfeita harmonia com a natureza, possibilitando a total integração de seus corpos físico, mental, emocional e espiritual.

A prática do xamanismo utiliza-se do trabalho com: ervas, direcções sagradas, rituais, jornadas xamânicas, contacto com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc…), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas.

Actualmente, há um resgate dos conhecimentos do xamanismo a fim de aplicá-los no dia a dia, buscando elevar a consciência e alcançar novamente o equilíbrio.

O xamanismo tem como objectivos básicos: reconectar o ser com sua sabedoria interior, conexão com a multidimensionalidade do ser humano, ancoragem do poder pessoal, conexão com seres espirituais, limpeza dos corpos físico e subtis, limpeza e harmonização de ambientes, harmonização plena do ser, conscialização do aspecto espiritual de cada um e de sua inter relação com a natureza e com o planeta a que pertence, activação das habilidades de coragem, força e sabedoria para lidar com questões generalizadas, curas e prevenção de distúrbios e doenças.

O conceito básico da cura xamânica é que ” Ninguém cura o outro. A cura está dentro de cada um”.

“Percebendo que os corpos visíveis são somente símbolos de forças invisíveis os anciãos trabalham o poder divino através da manifestação dos reinos da natureza… A era de ouro reconhece as coisas vivas de um ponto de vista que Deus pode ser perfeitamente compreendido através da suprema manifestação de sua força de trabalho : a Natureza. Cada criatura existente manifesta um aspecto da inteligência e poder do Grande e Eterno criador…”

Quem pratica a Magia certamente já se deparou com o xamanismo e com a cultura celta. Mas provavelmente nunca os colocou juntos numa mesma frase, porque aparentemente uma coisa não tem nada a ver com a outra. O escritor e pesquisador John Matthews (uma das maiores autoridades em Mitologia Celta) também pensava assim – até que suas pesquisas o levaram a desenterrar a ponte entre essas duas tradições.

“O xamanismo celta se perdeu por volta do século VI d.C., provavelmente pelo advento do cristianismo, numa época em que tudo que era relacionado ao paganismo estava desaparecendo ou tendo que se esconder”. Matthews sustenta, no entanto, que muitos dos primeiros exploradores cristãos eram xamãs, apesar de não se chamarem assim. O xamanismo celta entrou então na clandestinidade, ressurgindo séculos mais tarde em práticas espirituais como o witchcraft (wicca), ou bruxaria.

“O xamanismo é a prática espiritual mais antiga. Numa certa época, era praticado no mundo inteiro”, afirma Matthews. “E quase todas as religiões têm elementos xamânicos, ainda que estes não apareçam com frequência”. O principal destes elementos que definem o xamanismo é a crença de que tudo é sagrado e divino. “O xamã torna-se um com a natureza, com o planeta, e se comunica com os espíritos dos animais e de todas as coisas que crescem”. E isto, diz Matthews, é a linha mestra de todo o xamanismo – seja ele norte americano, siberiano, brasileiro, celta. É o que ele chama de “core shamanism”, as principais práticas que estão presentes no xamanismo de qualquer cultura.

E o centro do trabalho do xamã é a jornada. Os toques de tambor transportam o “viajante” a um transe onde ele encontra os animais de poder, guias e espíritos que o levarão ao que é preciso ver, descobrir ou curar. É uma jornada para dentro, mas não exclusivamente interior. Matthews explica que acessamos um mundo espiritual que está fora de nós, ainda que o vejamos sob o filtro da nossa própria história. “Com a jornada xamânica, convidamos este mundo, que está fora de nós, para que entre”. O que encontraremos nessa viagem depende da cultura de cada um, do contexto e da necessidade psicológica e espiritual.