Archive for setembro, 2010


por Spaso Zen, terça, 28 de setembro de 2010 às 16:04

1. Com a determinação de alcançar

O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,

Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,

Vou aprender a prezá-los e estimá-los ao mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender a pensar na minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,e, com todo o respeito, considerá-las supremas,do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus actos, vou aprender a examinar a minha mente e, sempre que surgir uma emoção negativa, pondo em risco a mim mesmo e aos outros,vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa e aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,muito difícil de encontrar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,ou a insultarem e caluniarem,vou aprender a aceitar a derrota,e a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,vou aprender a ver essa outra pessoa como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem excepção,toda a ajuda e felicidade

8. Vou aprender a manter estas práticas isentas das máculas das oito preocupações mundanas, e ao compreender todos os fenómenos como ilusórios,serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

1. Desejar elogios

2. Rejeitar críticas

3. Desejar o prazer

4. Rejeitar a dor

5. Desejar o ganho

6. Rejeitar a perda

7. Desejar a fama

8. Rejeitar ser ignorado

Texto composto por Geshe Langri Tangba. Extraído de “The Union of Bliss and Emptiness”, da autoria de Sua Santidade o XIV Dalai Lama.

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CAMINHO DO MEIO

por Spaso Zen, quarta, 29 de setembro de 2010 às 08:21

Se cortarmos um tronco de árvore e o atirarmos ao rio e ele não afundar ou apodrecer, nem ficar preso nas margens do rio, esse tronco irá com certeza chegar ao mar.

A nossa prática é igual.

Se praticarmos de acordo com o caminho estabelecido pelo Buda, seguindo-o com rigor, iremos transcender duas coisas. Quais duas? Exactamente os dois extremos que o Buda disse não ser o caminho do verdadeiro meditador – entregar-se ao prazer e entregar-se à dor. Essas são as duas margens no rio.

Uma das margens do rio é a raiva, a outra a cobiça. Ou podemos dizer que uma margem é a felicidade e a outra a infelicidade. O “tronco” é a mente. À medida que “fluir rio abaixo” ela irá experimentar a felicidade e a infelicidade. Se a mente não se apegar a essa felicidade ou infelicidade, chegará ao “oceano” de Nibbana. Devemos ver que não existe nada além de felicidade e infelicidade surgindo e desaparecendo. Se não “ficarmos presos” nestas coisas, então estaremos no caminho de um verdadeiro meditador.

Esse é o ensinamento do Buda.

Felicidade, infelicidade, cobiça e raiva simplesmente existem na Natureza de acordo com a invariável lei da natureza. A pessoa sábia não os segue ou estimula, ela não se apega a eles. Essa é a mente que não se entrega ao prazer e não se entrega à dor. É a prática correcta. E como aquele tronco de madeira irá finalmente chegar ao oceano, assim também a mente que não se apega a esses dois extremos irá inevitavelmente alcançar a paz.

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A sombra de Vênus

 

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Rio,setembro de 2000

  • Recebi essa mensagem de uma amiga,libriana como eu,e como achei um questionamento interessante e inteligente e que procede em vários sentidos,resolvi postar para que vcs compartilhassem desta elucidaçäo.sua reflexäo me inspirou a escever sobre a sombra dos arquétipos astrológicos e aos poucos vou postar sobre os doze signos do zodíaco.
  • “ouvi dizer que libra
    é um dos signos cuja sombra é uma das maiores do zodiáco, toda a
    ferocidade/maldade que nos outros signos fica estampada e que nos
    generosos librianos parece não existir é jogada na sombra, naquela parte
    ocultada da personalidade que emerge de repente quando menos se
    espera. Eu sinto isso, como quando sou julgada de ingênua por ser
    educada, e
    venha a surpreender por deixar que enganadores se me aproximem mantendo
    uma fachada dócil,ainda que enxergue até mais que as mais ladinas
    raposas… por que será isso?!!”
  • “Vc como libriano deve entender o que
    estou falando. Por que essa sombra tão grande?! por que temos que deixar
    uma situação chegar ao ápice depois de toda a nossa educação e
    civilidade para então mostrarmos nossa capacidade destrutiva mais
    perigosa? Apolo sabe esperar e isso o torna muito mais perigoso que
    Dionísio ,cuja ação é sempre imediata,Apenas uma opinião
    leiga…Bjkas, querido. Bom tê-lo aqui comigo…”
  • Minha querida libriana!a nós,foi dada a missäo de espalhar o amor,assim como a peixes,de uma forma mais espiritual.e talvez por isso,esse dom de ouvir,perceber,compreender,compartilhar e se colocar no lugar do outro.eu agi dessa forma desde que me conheço por gente…procurando ser o bonzinho,o mocinho,o príncipe encantado,o paciente,aquele que compreende tudo e que muitas vezes dizia “sim”.desejando dizer “näo”,apenas por ñ querer magoar o outro ou agradar a todos e se esquecendo de si mesmo.isso durou até o dia em que conheci a Fernanda,que vc conhece,há muitos anos atrás.e através do nosso relacionamento (e libra evolui através dos relacionamentos)aconteceu uma revoluçäo e um vendaval invadiu a calmaria. ela tem sol,vênus,marte e lua em aquário e uma influência muito forte do mito de Prometeu,que está ligado a esta signo.e isso tudo cai na minha casa sete(a relaçao com o outro)fazendo oposiçäo ao meu ascendente e uma tropa de choque de planetas que possuo na casa 1(eu)….e Prometeu questionou o poder dos Deuses,a forma como a humanidade era tratada por eles e se rebelou em nome da igualdade e roubou o fogo(conhecimento)dos deuses para tirar os homens do obscurantismo da ignorância.e essa mulher sacudiu a minha vida,me fazendo pensar em todos os “amigos” que já haviam traîdo a minha confiança,as pessoas que se aproximavam por puro interesse,os invejosos,os falsos,os destrutivos,etc,enfim,ela me chamou a atençäo para a faxina que eu precisava operar à minha volta e que eu simplesmente näo fazia,me mostrou que eu näo era um Francisco de Assis,muito menos um Arcanjo Miguel que veio para salvar o mundo,nem era responsável por aquelas pessoas.que tinha direito de dizer “näo”,mesmo ferindo,e afastar quem näo me fazia bem ou que atrapalhava a minha vida de alguma maneira.que todo mundo tem um lado egoísta,que todos tem defeitos e que eu näo prcisava ser perfeito,que ela näo esperava que eu fosse perfeito e que eu precisava parar com aquela necessidade de criar um mundo perfeito para quem estava junto comigo.ao me aceitar como ser humano,falho,sujeito a erros,com defeitos e me mostrar que me amava daquela forma,ela me colocou em contato com a minha sombra de uma forma natural e espontânea e dali em diante,comecei a dialogar com essa sombra.ela me insuflou a me rebelar contra essas lentes cor de rosa que os librianos custumam usar e ao tirar essas lentes,me libertei do poder de vênus e a obrigaçäo de ser suave,charmoso,educado,polido,previsível e politicamente correto.e pude ver o mundo da minha maneira e ser eu mesmo.
    hoje,continuo sendo um libriano a serviço de vênus,mas só faço as coisas com alma e coraçäo,com verdade e sempre expondo o que penso e o que sinto,sendo aceito ou näo,doa a quem doer.
    Penélope,a nossa missäo é muito difícil dentro desse mundo bestial em que vivemos.a de peixes tb,até mais,por que envolve sacrifícios crísticos…e pior ainda é a missäo de escorpiäo,que é agente cármico-transformador,ou seja,veio destruir para ensinar e libertar,por que alguém tem abrir a tampa da lixeira e limpar a sujeira.acho que o grande perigo para nós librianos seria nos mantermos escravizados à essa imagem de cordeiros,pois temos nossa sombra em áries,portanto,existe um lado agressivo e violento dentro de nós e que precisamos trazer à tona de forma consciente e que pode ser feito através de atividades arianas,que agradem marte e façam essa sombra respirar,tipo artes marciais,exercícios físicos,atividades que exijam enfrentamento,desafio,atitude,liderança,competiçäo..ou seja,trabalhar a energia yang-vermelha e deixá-la fluir.entrar em contato com o lado primitivo tb ajuda,no sentido de colocar os pés na terra e enfrentarmos nossos medos contando com o instinto de sobrevivência.na verdade,temos um lobo enjaulado dentro de nós e o segredo é deixá-lo sair da jaula e aprender a conviver com ele,sem medo.librianos säo grandes estrategistas e faz parte da estratégia näo demonstrar as suas armas.por isso,muitas vezes as pessoas se surpreendem ou se assustam com o que somos capazes de fazer,pois geralmente menosprezam a nossa força e capacidade se deixando levar pelo nosso jeito doce,calmo e sereno.e essa tendência de racionalizarmos tudo e a nossa razäo prevalecer tb é outro perigo,pois em algum momento o instinto se liberta e a criatura pode devorar o criador. por isso me aproximei da natureza,me afastei das cidades,deixei de ser o intelectual charmoso para ser o selvagem da motocicleta(hoje,estou mais para bicicleta…rsrs),troquei as pessoas e a vida social pelos animais e a praia deserta da reserva ambiental,as noitadas da zona sul carioca e seu glamour pela simplicidade e a pureza silenciosa de vargem grande…entäo,antes que o lobo que habita dentro de mim me devorasse,eu me entreguei a ele.nos tornamos amigos.e agora somos um só ser.na verdade sempre fomos um,mas antes eu näo sabia ou fingia näo saber.
  • Bem,é isso,querida libriana…acho que podemos começar tomando decisöes,sejam elas boas ou más,mas evitando ficar em cima do muro;podemos assumir responsabilidades,sejam elas pesadas ou leves;podemos olhar o mundo como ele é,ou seja, bem longe de ser um conto de fadas…e saber conviver com o que näo é belo,com o que näo é idealizado,com o que näo é harmônico.e procurar enxergar a beleza na imperfeiçäo,perceber que os brutos também tem coraçäo,que os ogros também amam e que os monstros que vivem dentro e fora de nós,assim como os príncipes e as princesas,tem o seu encanto.todo esse processo em lidar com o que achamos ou julgamos ser desagradável,antiestético,vulgar ou desenteressante nos ajudam a redimensionar o “bicho-papäo” e aprender a lidar com ele.entäo,a aceitaçäo e o diálogo interno säo essenciais para alcançarmos resultados construtivos em relaçäo a nós mesmos. e o que seria dos homens,se näo houvesse uma sombra para os acolher do calor infernal de um dia de sol escaldante?…
  • namastê,
  • Miguel Costa

Divina Comédia


A divina comédia humana

que um dia recebemos como herança

quando éramos ainda crianças

e nada sabíamos do mundo.

Como uma dádiva divina acolhemos

em nossas mãos pequeninas

(Presente tão encantador)

e por ela fomos levados,

dia após dia,

na inocência de quem crê.

Com o coração puro

nos entregamos aos feitiços

e às armadilhas da vida

interpretando os papéis

que a nós eram destinados.

Ao bem fomos apresentados

pela ternura de nossos pais

(quando esta houvera).

Tornando-nos crédulos no amor

que nos confortava em seu berço.

Nos sentindo protegidos,

sem nada a temer,

fomos crescendo na certeza

de que a bondade existia.

O tempo foi passando

e com ele a certeza

pouco a pouco fraquejando

cedendo lugar à dúvida.

O mal, então , se apresentou.

Súbito, traiçoeiro e ameaçador.

Revelando o outro lado

da bondade que conhecíamos.

Com ele, a insegurança se instalou

e a paz que então reinava,

pouco a pouco, desmoronou.

A angústia se fez visível

no temor ao inimigo

e em cada gesto contido

que o medo nos imprimia.

A lucidez tomou conta

da ilusão que antes existia

Do amor como sentimento único

que a natureza exprimia.

A dureza dessa revelação

se fez sentir na alma

e com ela a pureza

escorreu por entre os dedos.

A maturidade tomou a vez

da inocência perdida

e assim nos tornamos

cada vez mais humanos,

com todas as virtudes e vícios

que um humano pode ter.

Viver, então, tornou-se

uma eterna e incansável luta

entre o bem e o mal.

Contrários que co-habitam
em nosso ser cheio de contradições.O conflito que essa dualidade gera

nos faz desejar o perfeito equilíbrio

entre esses dois contrários-

– nossa ” área de conforto”,

que nutre e revigora
o amor que nos deu a vida.


Ianê Mello


http://dialogospoeticosimello.blogspot.com/2010/03/divina-comedia.html

O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demais estragam o gosto.
O ímpeto das paixões perturba o coração.
A cobiça do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua alma
Determina a medida de cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe são apenas
Setas que apontam para o Invisível.

(Tao-Te King, Lao-Tsé)


http://dialogospoeticosimello.blogspot.com/2010/09/o-mar.html

É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

Honroso é morrer pela pátria. Militar adora dizer isso. Bem, morrer pelo Brasil eu particularmente nunca morri. Mas já desmaiei por ele. Verdade. Tinha 12 anos e estudava no Colégio Militar. E como o colégio vive em função do Sete de Setembro, toda semana tinha treinamento para o grande desfile. Um dia, num desses treinos, nós todos metidos naquele pesado uniforme de gala e perfilados sob o solzão cruel, minha vista escureceu, o corpo fraquejou e bufo!, desabei feito um armário, de cara no chão. Despertei na enfermaria, tudo bem, só uns arranhões. Novecentos e dezenove, você está liberado por hoje! Sim, senhor!

Se desmaiar já é ridículo, imagine morrer pela pátria. Isso não faz mais sentido num tempo em que ou nos unimos pelo bem geral do planeta e da espécie ou afundamos todos. Sim, eu sei que muitos ainda creem em superioridade racial e religiosa e outras ilusões. Porém está em curso atualmente uma revolução que ameaça mudar tudo isso. Silenciosa e sem sangue, ela está fazendo com que a humanidade, cada vez mais, se veja como um único povo a habitar uma única pátria: o planeta Terra.

Estamos presenciando uma profunda transformação no modo da espécie entender a si mesma e ao mundo em que vive. Isso é tão sério que pode mudar para sempre o rumo evolutivo do Homo sapiens. Sempre que se aprofunda um pouco mais na maneira de entender a si mesmo, você adentra um novo nível pessoal de evolução. Você se transforma. E como tudo são espelhos a refletir tudo que há, nada fica imune à sua transformação. O mundo ao redor muda… simplesmente porque você mudou. Este é o segredo da revolução: você não precisa transformar o mundo, basta mudar a si mesmo.

E quando ela começou? Impossível precisar. No entanto, foi no século 20 que ela tomou impulso. E no final da década de 1960, quando divulgaram ao mundo aquela primeira foto da Terra tirada do espaço, algo estalou na alma coletiva da humanidade. Foi um momento histórico muito significativo. A maioria não parou para refletir mas o estalo aconteceu. Pela primeira vez olhamos para a imagem do planetinha azul e percebemos enternecidos como ele é lindo. E nos demos conta de algo incrível: do alto não há fronteiras! Habitamos todos o mesmo lar. E somos todos responsáveis por ele.

É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária. As comunicações fáceis e a internet incentivam os jovens a viajar mais, conhecer o mundo. Seus horizontes são mais amplos e não se conformam com fronteiras nem intolerâncias raciais, étnicas, sexistas ou religiosas. Veem os fanatismos nacionalistas atuais como os últimos espasmos da velha mentalidade que não quer morrer – mas já está moribunda. Para eles essa noção de patriotismo é mesquinha demais diante de uma pátria bem maior que se chama Terra.

A nova revolução traz em sua luta o clamor pela conscientização ecológica, pelas liberdades individuais e pelo respeito à vida e às diferenças. Pode soar ingenuamente otimista mas são conceitos que a cada dia se espalham mundo afora feito um vírus benigno. A Terra é meu país e a humanidade minha família – este é o grito de seus soldados que, desarmados, se denominam cidadãos do mundo, uma nacionalidade bem mais abrangente e que abraça toda a riqueza da diversidade cultural humana. São ainda minoria, sim, esses belos revolucionários, mas sua bandeira tremula com a cor de todos os povos e eu me orgulho de lutar ao lado deles.

Sim, eu sei que a espécie humana está muito doente e que em seu delírio põe em risco a própria sobrevivência. Vejo tempos terríveis se anunciando no horizonte. Mas sei também que às vezes é preciso que a doença atinja seu clímax para então, somente então, regredir. Entram aí os ideais revolucionários: eles é que nos manterão vivos durante a longa noite.

É por isso que quando assisto à parada do Sete de Setembro, tudo aquilo me parece tão pequeno… E é por isso que nada vejo de honroso em morrer pela pátria. Sim, adoro o Brasil e seu povo. Porém, nossa pátria verdadeira, de todos nós, é muito maior que o Brasil. E nossa família não são apenas brasileiros, brancos ou negros ou índios, muçulmanos ou cristãos, homo ou heterossexuais: nossa família é a humanidade inteira, bela e diversa.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

Sim, faz parte da democracia que o pensamento religioso tenha representantes na vida política do país. Porém, os cidadãos verdadeiramente democratas devem sempre estar atentos pra impedir que a religião ultrapasse seus limites de atuação e se instaure no poder. Porque a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade. Há numerosos exemplos históricos das catástrofes que podem ocorrer quando a religião veste o manto do poder político. Mas fiquemos apenas num exemplo: a Santa Inquisição.

Também conhecida por Santo Ofício, a Inquisição é uma instituição católica criada no século 12 pra, inicialmente, combater as heresias, ou seja, as demais versões do Cristianismo. A novidade católica inspiraria também a futura igreja protestante, que em diversos países executou na fogueira os seus próprios hereges, inclusive católicos. Com o tempo outras motivações ideológicas, sociais e econômicas se misturaram ao caráter inicial da Inquisição e suas atividades variaram bastante de acordo com o país e a época mas, de modo geral, seu objetivo era combater tudo que representasse ameaça à supremacia católica.

A coisa funcionava assim: ao julgar necessário, a Santa Sé enviava seus representantes e instalava os tribunais que, após o julgamento, eram desfeitos. Pra que a Igreja não sujasse de sangue as próprias mãos, os tribunais apenas torturavam, extraíam confissões e julgavam mas no final os condenados eram entregues às autoridades locais pra que fossem punidos. O total de execuções é incerto e as estatísticas variam de dezenas de milhares a milhões de mortos em seis séculos de perseguições.

Pra ser um réu, bastava uma simples denúncia anônima da vizinha invejosa, o que fazia as chantagens e os subornos correr à solta, enriquecendo inquisidores e denunciantes e criando na sociedade um permanente clima de terror e paranoia coletiva. Os condenados, se tivessem sorte, sofriam apenas umas torturas educacionais ou teriam tomados seus bens e propriedades. Entretanto, se não confessassem exatamente os pecados que os inquisidores queriam ouvir, a pena era a morte. O método mortal mais famoso, embora houvesse outros bem mais engenhosos e criativos, era queimar vivo o condenado numa fogueira, sempre em público pra servir de exemplo ao povo. Quando descobriram que alguns morriam por asfixia antes de serem queimados, passaram a embeber enxofre na roupa dos condenados. Mas era tudo por amor a Deus.

Não há muitos estudos sobre a Inquisição no Brasil mas aqui ela também esteve presente, embora de forma menos intensa, condenando a maior parte dos réus por prática de judaísmo – e confiscando todos os seus bens, claro, pois não pense você que sai barato manter em funcionamento o escritório terreno do Reino de Deus. Nos séculos 18 e 19 os tribunais foram sendo gradualmente extintos na Europa e a Espanha foi o último país a fechar o seu, em 1834. A Inquisição, porém, se mantém viva na Igreja Católica até hoje, com o nome mais agradável de Congregação para a Doutrina da Fé.

Felizmente os tempos são outros e a Igreja já não tem o poder de torturar e queimar vivos aqueles que não seguem os dogmas de sua cartilha. A liberdade venceu a ditadura da fé. Mas é preciso que a sociedade continue sempre atenta pra que religião e poder não se misturem.

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Ricardo Kelmer blogdokelmer.wordpress.com

DICAS DE LEITURA

> A caça às bruxas na Europa moderna – Brian P. Levack (Campus, 1988) – O estranho e terrível fenômeno da caça às bruxas é uma mancha de vergonha não só para a Igreja Católica como também para toda a cultura ocidental. Neste livro, o autor analisa as razões que levaram os tribunais eclesiásticos a julgar e matar milhares de pessoas pela suposta prática de magia maléfica e adoração ao Diabo. Por que tal fenômeno teve lugar justamente nessa época específica da História? Quem eram os acusados e seus acusadores? E por que motivo os julgamentos chegaram ao fim?

> A caminho da fogueira – Michael Kunze (Campus, 1989) – Este é o impressionante relato de todo o processo de julgamento e condenação de uma família inteira de camponeses alemães do século XVII. O autor nos põe no interior de toda a trama e, com competência, nos leva a conhecer os meandros escuros dos processos inquisitórios da Idade Média.

> Inquisição: prisioneiros do Brasil (Séculos XVI a XIX) – Anita Novinsky (Perspectiva, 2009) – A autora pesquisou arquivos em Portugal e, através da análise dos processos que a Inquisição moveu sobre mais de mil brasileiros, nos oferece um painel sobre a realidade das atividades do Tribunal do Santo Ofício no Brasil entre os séculos 16 e 19.

> Perseguição religiosa – A história dos que morreram e mataram porque acreditavam em Deus – Revista publicada pela Mythos Editora.

> Inquisição na Wikipedia

> Métodos de tortura da Inquisição (imagens fortes)

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DICAS DE FILMES

> Arquivos Secretos da Inquisição – Documentário. Produção: Canadá, 2006. Direção: Lauren Drewery. Foi exibido em formato de minissérie no canal The History Channel. Baseado em documentos inéditos e pesquisas que revelam inúmeros segredos do Vaticano, a minissérie tem intervenções de especialistas e retrata passagens obscuras da Santa Inquisição católica.

> Sombras de Goya – Longametragem de ficção histórica. Produção: EUA/Espanha, 2006. Direção: Milos Forman. Conta a história do grande pintor espanhol Francisco Goya dentro do contexto da Inquisição Espanhola do século 18.

> As bruxas de Salem – Longametragem de ficção histórica. Produção: EUA, 1996. Diretor: Nicholas Hytner. Apesar de não ser sobre a Inquisição, este longametragem mostra como o fanatismo religioso pode facilmente promover uma histeria coletiva e levar a condenações injustas. O filme conta a história de um episódio real ocorrido no povoado estadunidense de Salem, Massachusetts, em 1692, que foi o último caso de condenação por bruxaria nos Estados Unidos.  O filme é baseado em uma peça teatral, escrita em 1953 por Arthur Miller, que também fez a adaptação pro cinema.

> Giordano Bruno – Longametragem de ficção histórica. Produção: Itália/França, 1973. Direção: Giuliano Montaldo. O processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica.

> O nome da Rosa – Longametragem de ficção. Produção: França/Itália/Alemanha, 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco. Num mosteiro beneditino italiano do sec. 14, que guarda uma imensa e preciosa biblioteca, estranhas mortes começam a ocorrer, levando a Igreja a investigar. Nesse cenário instala-se a luta entre os valores da Santa Inquisição, representados pelo Inquisidor Geral Bernardo Gui, e a nova mentalidade renascentista, com sua postura humanista, representada pelo monge franciscano intelectual William de Baskerville.

Para baixar estes filmes: filmesepicos.com


Minha alma tem estado a visitar a minha infância. Fantasias. O que são fantasias? As fantasias de infância são as memórias transfiguradas pela saudade. Eu poderia colocar minhas fantasias de infância em álbuns diferentes, como se fossem fotografias. Fantasias dos pequenos espaços (a cabaninha, a casa no alto da árvore), as fantasias dos grandes espaços (os campos, os jardins), as fantasias da noite com seus terrores…
Antigamente… essa palavra me intrigava. Ouvia que os grandes em suas visitas noturnas a usavam com frequência. E eu perguntava: “Quando é antigamente?” Nunca me explicaram. Mas agora eu sei quando é antigamente. Pois antigamente os grandes gostavam de fazer sofrer as crianças. Acho que eles pensavam que as crianças não tinham o “lá dentro” onde mora o sofrimento.
Os grandes me faziam sofrer e riam do meu sofrimento. Mentiam para me fazer sofrer. Eu devia ter uns quatro anos, na roça. Perto da casa havia uma mata fechada. Por medo, eu nunca me aproximei dela. Diziam que lá moravam onças. E os grandes me diziam que naquela mata fechada morava um menino. E, para provarem, diziam: “Quer ver?” E gritavam: “Ô menino!” O grito batia na mata e voltava como eco bem fraco: “Ô menino…” Mas eu nada sabia sobre ecos. Sim, era a voz fraca de um menino abandonado. Que pais o teriam deixado lá? E por que ele ficava lá?

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E a imagem daquele menino não me deixava. De noite, na minha cama, eu me lembrava dele sozinho no escuro. Como eu desejava poder trazê-lo para a segurança da minha casa! Mas eu nada podia fazer. E assim dormia, sofrendo o abandono do menino. Nunca vi o dito menino, porque ele não existia. Mas a alma não sabe o que é isso, o não existir. Aquilo que é sentido existe. A alma é um lugar assombrado onde moram as mais estranhas criaturas que, sem existirem, existem.
Lembro-me de que, numa dessas noites, eu chorava baixinho. Chorava de angústia. Minha mãe ouviu o meu choro e veio assentar-se ao meu lado para saber o que me fazia sofrer.
Expus-lhe, então, a minha aflição: “Mãe, quando eu crescer, como é que vou fazer para arranjar uma mulher?”, “Mãe, quando eu crescer como é que vou fazer para ganhar a vida?”
Quem tomar essas perguntas no seu literalismo se rirá delas. Não é engraçado que problemas tão distantes façam uma criança chorar? Mas o seu sentido não se encontra na letra. Ele se encontra no não dito, na noite escura de onde surgiram, noite da minha alma, aquela noite quando seria inútil chamar por pai ou por mãe, porque não haveria ninguém para ouvir. Naquela noite eu chorava pela minha solidão, pelo abandono que me esperava, quando eu seria como o menino da mata.
O menino abandona- do não me abandonou. Entrou dentro de mim e mora comigo. Me faz sofrer. Me dá ternura. Sempre que vejo uma criança abandonada, eu sofro. Quereria poder protegê-la, cuidar dela. Eu me enterneço porque a criança abandonada que mora em mim está sofrendo. Afinal, todos somos crianças abandonadas. Nos momentos de solidão noturna, de insônia, tomamos consciência de que estamos destinados ao abandono, àquele tempo quando será inútil chamar “meu pai” ou “minha mãe”. É assim que me sinto, às vezes. Tenho, então, vontade de chorar…

Rubem Alves é escritor, educador e psicanalista

Desapego

…Conversando com uma pessoa,eu lhe disse:”tu és deverasmente materialista,ganaciosa e interesseira…desapegue de tuas raízes,mude teus valores,que assim serás mais feliz.aprende que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas.”e ela me responde: “…sim,nas pequenas coisas…Um pequeno iate, uma pequena mansão, uma pequena Ferrari …”rsrsrs….


Eu conheço pessoas que foram assim em vida e ficaram presas,em espírito durante anos no caixäo do cemitério onde foram enterradas,tamanho era o seu apego pelas coisas terrenas.só depois de muita oraçäo e cansativas incursöes no astral junto aos mentores espirituais para auxiliá-los é que conseguimos fazê-los passar para o segundo degrau:o limbo.muitos ainda estäo lá.alguns já estäo se tratando em hospitais no astral intermediário e outros(muito poucos) estäo nas escolas esprituais do astral superior.mas o que quero dizer com tudo isso é que muito sofrimento pode ser evitado se deixarmos o egoísmo de lado,se näo colocarmos o dinheiro acima de tudo e percebermos que só estamos por aqui para aprender uma única liçäo:”amai-vos uns aos outros,como eu vos amei.”Mestre Jesus de Nazaré.só nos libertaremos da roda das encarnaçöes e das correntes do sofrimento quando tivermos assimilado o amor em cada poro do nosso ser,de forma ampla e profunda,com todas as suas cores e vertentes.


– Martha Medeiros –

Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, ou de frente ao sol, havendo sol, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso se chama uma trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernas ou eternas, fizeram uma da outra seu lugar de repouso.

– Martha Medeiros –