Eu cresço e amadureço
ao realmente abandonar o
perdido.
Só mãos vazias podem encher-se.
Eu quero por de lado
o
lastro do passado
e não mais me deixar dominar por ele.
Não vou
negar meu passado
porque ele pertence a mim;
contudo, vou
impedí-lo
de toda vez determinar meu futuro.
Na medida
em que
amadureço,
vou conseguindo
reiventar-me a cada ensejo,
pois
para mim o futuro está aberto.
Eu enterro
o que lamentei.
Eu
não me desgasto mais
com o que é imutável.
meu olhar está voltado
para
o que ainda é possível…
Sempre é preciso saber quando uma etapa
chega ao final. Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo
necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que
precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando
capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no
passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do
trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para
viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem
explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso
aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão
importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em
pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu
marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão
encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos
sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo
tempo no presente e no passado, nem mesmo
quando tentamos entender
as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos
ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se
culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma
ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As
coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente
possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que
seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para
orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo
visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo
em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também
abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Solte.
Desprenda-se…
.

Que eu não perca a capacidade de amar,
de
ver, de sentir. Que eu continue em alerta.
Que, se necessário, eu
possa ter novamente
o impulso do vôo no momento exato…

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