Se a própria noção de existir é uma questão de interpretação das percepções sensoriais de cada observador – ou seja, é uma experiência individual, – quem poderá anunciar-se o limitador da verdade comum ou da razão humana? Com qual propriedade e acuricidade o faria? O que é irreal? O que é real?…

1 – Suprapsicografia

Tendo em vista que a memorável obra codificada por Allan Kardec já aniversariou 150 anos e que tudo no Universo deve evoluir sempre, por análise e observação, sugiro que a seguinte definição de psicografia seja levada em consideração:

‘Psicografia é a escrita inspirada pelos espíritos desencarnados – por intervenção mental ou física – que se utilizam dos médiuns psicógrafos, sejam estes mecânicos, semi-mecânicos ou inspirados, para a comunicação entre o plano astral, onde se encontrar, e o plano material (ou objetivo), sendo que o fator distância não lhes constitui, de forma alguma, empecilho para que a comunicação ocorra.

E entende-se como Suprapsicografia a captação de informações retiradas diretamente dos Registros Acásicos da Luz Astral, que são a memória de todo o Universo manifesto: neste caso, sem a necessidade de permissão por parte do desencarnado ou de guias espirituais, não se fazendo necessário nem mesmo a presença do espírito, nem que este esteja ciente da reprodução da carta, conquanto que com a permissão do Criador. Neste caso de psicografia em especial, também o fator tempo não constitui empecilho para o médium, que é capaz de transitar entre o passado, o presente e o futuro, desde que possua ou desenvolva a constituição psíquica necessária para a tarefa.’

Faz-se necessário sugerir também o termo Supramediunidade, assim como psicografia semi-inspirada, para designar os médiuns que ora trabalham por inspiração, e que ora psicografam diretamente da fonte mais alta ou supra.

2 – Sensação de Aquário – uma percepção

diferenciada do espaço-tempo

Artigo escrito dia 31 de outubro de 2008. Dia das Bruxas.

A Sensação de Aquário caracteriza-se por uma sensação de que o céu desce e se aproxima da terra. Uma sensação de que o espaço entre o céu e a terra é algo totalmente elástico.

O indivíduo pode sentir-se como se estivesse dentro de uma espécie de cubo invisível e percebe que existe um observador externo (lupa).

Associada à minha Sensação de Aquário está a sinestesia do número 11 (onze), que vibra uma mensagem musical (que parece uma buzina) e amistosa, que diz que tudo vai dar certo. Segue-se uma experiência de profunda bem-aventurança e um sentimento de paz profunda e integração com o Observador Externo (Lupa).

O que desencadeia a Sensação de Aquário? Em alguns casos, ela é desencadeada pela repetição contínua e emocionada do mantra Gayatri, que é um conjunto de palavras cantadas que têm como objetivo iluminar o intelecto do devoto. Acredito que a glândula pineal é intensamente ativada e gira tal como um pequeno sol a iluminar a consciência individual.

Entretanto, há relatos de alguns casos que parecem ser desencadeados durante, entre ou depois de uma crise epilética. Outras vezes, apenas por um estado relaxado e receptivo ela pode ser experimentada.

No meu caso (Atma, autora deste artigo), sinto o céu descer quando entôo o Gayatri por um tempo longo, quando então sinto o 11 e sua mensagem, assim como sinto a lupa – que sinto como sendo O olho de Deus – a me observar, passo a ver tudo dourado e sinto-me em bem-aventurança profunda.

No caso do Sr. F., ele sente-se dentro de um cubo espacial também invisível e também sente-se observado por uma “lupa” quando alguém está tentando descobrir algo sobre a vida dele através de um oráculo (jogo de cartas, que manipula aquilo que Carl G. Jung chamou de Inconsciente Coletivo).

No caso do escritor norte-americano Daniel Tamet, o que eu chamo de Sensação de Aquário é desencadeada por uma descarga elétrica cerebral em uma quantidade maior que a necessária para o exercício das atividades corriqueiras. Ele, então, tem uma percepção diferenciada do espaço (que, no caso dele, se expande ao invés de se retrair) e do tempo (que se congela), também acompanhada por uma sensação de bem-aventurança muito intensa. Ele também sente no número 11 (onze) uma sensação amigável.

A sinestesia é tomada como uma espécie de contaminação dos sentidos. Não chega a ser considerada uma doença. Geralmente há relatos de sentir sons, letras, números ou palavras associados a cores. Em um passado bem recente, os sinestésicos eram considerados delirantes ou confundidos com doentes mentais. São pessoas capazes de falar, com a maior naturalidade, sobre a textura de um aroma, o sabor das letras ou a melodia do gosto de uma fruta.

Ou seja, a sinestesia é um fenômeno de contaminação dos sentidos em que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a percepção de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos.

Não se deve confundir sinestesia com cinestesia, que é a capacidade de mover objetos com a força das ondas cerebrais.

O fenômeno parece estar diretamente associado a alguns tipos de epilepsia e/ou autismo (em diferentes graus). Eu (Atma) fui diagnosticada como autista por uma especialista em testes psicotécnicos. Daniel Tamet é autista. O Sr. F. possui ondas cerebrais mais lentas que o normal, de acordo com o último encefalograma que bateu.

Percebe-se que a Sensação de Aquário possui variações, mas sempre está ligada à contração do espaço, embora a questão da bem-aventurança e do tempo não sejam uma constante.

Ao que tudo indica, tal contração espacial dá-se por conta de um portal energético, chamado atualmente pela comunidade científica como possíveis buracos de minhoca, ou, pela comunidade esotérica, simplesmente portais de luz.

Sendo o Universo composto por prana (energia vital) que retém em si o akash (inconsciente coletivo ou memória do universo), a Sensação de Aquário possibilita uma integração mais perfeita com a interpretação desta Luz, facilitando, assim, o desenvolvimento da Suprapsicografia (ver definição) em todas as suas nuances, pois saberá melhor o intermediador verificar se media de fato um desencanado, ou uma egrégora, uma criação artificial humana etc – por conta de sua maior sensibilidade.

Existem pesquisas que procuram comprovar que existe uma relação entre uma maior quantidade de cristais de apatita na pineal dos sensitivos. Ou seja, quanto maior a quantidade destes cristais, maior será a capacidade de codificar em estímulos neuro-químicos as ondas sutis captadas do Cosmos. Tenho razões para acreditar que a minha sinestesia com o número 11 (onze) está diretamente associada à glândula pineal e aos chakras da terceira visão e ao coronário, que seriam os responsáveis pela codificação da realidade. Isso significa dizer que acredito ser possível que uma pessoa consiga por livre vontade e por esforço próprio realizar um upgrade em seu sistema interpretativo cerebral, ou seja, aumentar o grau de sensibilidade das ondas que poderá passar a interpretar – o que antes seria interpretável passará a fazer parte de sua realidade. Não vejo motivo para creditar a isso nenhuma questão mística ou mágica, senão à própria física e química cartesianas. Este upgrade pode ser conseguido de várias formas, tais como repetição de certos sons arquetípicos, exercícios de desenvolvimento psíquico etc.

Com as pesquisas que realizei no intuito de compreender a Sensação de Aquário, descobri que, na ciência da Numerologia, o número 11 é um dos números mestres, e diz respeito à intuição. Já na Astrologia, a casa zodiacal referente a este número diz respeito ao mito de Urano, e é regido pelo signo de Aquário. (Observação: o termo Sensação de Aquário foi escolhido por mim antes que eu soubesse disso.) O mito de Urano diz que, à noite, ele descia sobre Gaya (a Terra) para então criar os elementos que constituiriam, mais tarde, a Terra. Esta “descida” então tem ligação com a energia sexual criador, através da relação entre os opostos masculino e feminino (Ying e Yang).

O signo de Aquário é seguido pelo signo de Peixes que, por sua vez, fala do retorno do homem à Unidade (religare com Deus). Fala da vontade e ao mesmo tempo do medo que o homem sente por esta empreitada aparentemente irresistível. Como se fosse um futuro inevitável. A esta Unidade pode-se atribuir o nome de Inconsciente Coletivo (Jung), Ser Real, Ser Supremo, Ser sem personas (Jung) etc.

Quanto à visão dourada de todo o ambiente ao meu redor, ela é desencadeada sempre que um portal energético se abre para mim, independente da percepção da contração do espaço, mas sempre acompanhada pela bem-aventurança. Com o termo portal energético eu faço menção direta aos supostos buracos de minhoca.

Antes de seguir adiante, gostaria de deixar bem claro que não tomo nenhuma das minhas palavras como verdades definitivas e que se as escrevo é para melhor tentar compreendê-las e, mais ainda, na esperança de que um dia sirvam como pista para novas descobertas da comunidade científica. Assim, eu estaria realizando o meu sonho de ver ciência e magia unidas em definitivo.

Creio que pode haver uma ligação entre a Sensação de Aquário e o que vem sendo anunciado como a Nova Era de Aquário, que consistiria em os seres humanos encarnados nesta Terra passarem a ter uma conexão muito mais sensível com o Cósmico, em detrimento de uma vida meramente material.

A Sensação de Aquário tem relação direta com o domínio do plano astral, com um espírito mais liberto, plenamente ciente de que está tendo uma experiência sensorial no plano material onde atua. O homem da Era de Aquário (portador da Sensação de Aquário ou não) inspira amor e expira sensibilidade.

Ao que parece, a Sensação de Aquário, e tudo que dela advém, está relacionada ao desenvolvimento do 8º (oitavo) chakra, que estaria localizado logo acima do chakra coronário (topo da cabeça), o que marcaria o primeiro passo para a evolução do homem para uma Consciência mais Cósmica que limitadamente humana. Limitada porque humana é máscara da ilusão. E Cósmica é geral, abrangente, mais verdadeiramente fraterna.

Tendo em vista que as próprias publicações científicas atuais em todo o mundo anunciam livremente estudos sobre a contração do espaço, o esticamento e o congelamento do tempo – fornecendo-nos, inclusive, incríveis imagens computadorizadas, elaboradas por grupos que despendem milhares de dólares para estas pesquisas e que nos permitem vislumbrar tais realidades, – não vejo por que deveria esquivar-me de relatar a minha visão sobre a Vida e sobre a Realidade tal como a conheço, tendo em vista que não me parece tão dissonante assim com o rumo que toma a própria Ciência dos Homens.

3 – Epilepsia e catalisação

 

 

Catalisação – Tremedeira – Epilepsia – Buracos de minhoca – experiências com Bem-aventurança

 

Artigo escrito por Atma. Dia 21 de novembro de 2008. Sexta-feira.

O objetivo deste artigo é traçar uma semelhança entre a técnica de catalisação espiritual e as experiências transcendentais relatadas por alguns epiléticos.

O que mais tem me intrigado nos últimos dias é a semelhança da experiência de catalisação espiritual com as vivências transcendentais narradas por alguns epiléticos, tais como: percepção de prazer, felicidade, contentamento intensos, sensações como presença e voz de Deus, conexão com o infinito, presença de figuras religiosas, repetição de frases religiosas, clarividência, telepatia, experiências fora do corpo (chamada de autoscopia ictal).

A epilepsia é uma doença neurológica considerada crônica que afeta 1% da população mundial. Por razões ainda desconhecidas, uma descarga elétrica desorganizada que se propaga pelo cérebro, levando a uma alteração de toda atividade cerebral. Faz com que a pessoa tenha crises convulsivas (tremedeiras). Geralmente o indivíduo cai no chão, porque o “choque” é arrebatador.  A crise também pode se manifestar como alterações comportamentais, na qual o indivíduo pode falar coisas sem sentido, por movimentos estereotipados de um membro, ou mesmo através de episódios nos quais o paciente parece ficar “fora do ar”, com o olhar parado, fixo e sem contato com o ambiente.

A epilepsia pode ser progressiva, principalmente no que se relaciona a alterações cognitivas, freqüência e gravidade dos eventos críticos.

Existem diferentes tipos de epilepsia. Não são todos os tipos de epiléticos que têm este tipo de vivência mística. Os que as possuem costumam ter um elevado grau de fé como traço forte de suas personalidades. Na verdade, as pesquisas mostram que a religiosidade é rara dentre os epiléticos. Ela afetaria apenas um subgrupo, especialmente os que possuem epilepsia do lobo temporal. Estes, sim, são excessivamente religiosos, possuem grande senso de destino, fortíssimas crenças morais e intensos interesses filosóficos.

Pesquisadores da Escola de Medicina da New York University (NYU) mostraram que o sistema límbico (conjunto de órgãos do encéfalo responsável pelas emoções) seria responsável pela identificação da experiência religiosa dos epiléticos, nas fases ictais (durante as convulsões), pós-ictais (depois das convulsões) e interictais (entre dois episódios convulsivos). As experiências pós-ictais são intensas e costumam durar horas e até mesmo dias.  Em magia, é regra básica conhecida por qualquer iniciante que a emoção (vontade) permite ao mago manipular os acontecimentos de acordo com seu querer.

As pesquisas indicam que as experiências religiosas ictais geralmente têm foco de convulsão no hemisfério direito. Este é o lado ao qual, desde o início de minhas pesquisas, eu atribuí à minha comunicação com os espíritos, lado que eu sinto “formigar” durante estas comunicações. Esta seria mais uma semelhança entre o processo mediúnico e este subgrupo de epiléticos.

Tem havido um crescente questionamento com relação à aparente tendência dos epiléticos (assim como dos esquizofrênicos) à vivência paranormal, conforme adverte o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, professor adjunto da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – referência mundial em assuntos sobre saúde e espiritualidade. Ele lembra que não se deve atribuir deliberadamente aos epiléticos uma maior suscetibilidade a essas manifestações. “É verdade que pacientes esquizofrênicos e epiléticos podem ter eventos paranormais; se eles efetivamente têm potencial para isso é outra questão,” adverte.

Por esta razão, resolvo juntar-me aos que desejam ser criteriosos e, portanto, não afirmo que os epiléticos não passam de magos mal compreendidos. Muito embora eu tão pouco veja razão para desprezar tamanhas similaridades entre um caso e outro e deixar de lado uma pesquisa mais detalhada na área!

Um dos maiores interesses da comunidade científica atual é se a ativação de certas áreas do cérebro apenas produzem uma sensação (irreal, portanto, de certo modo) ou se realmente existem as experiências metafísicas. Devo confessar que este questionamento também habita o mundo das minhas indagações internas e, se dedico o meu tempo à pesquisa e ao entendimento de tudo o que vivencio, é na esperança de um dia chegar a uma noção mais verdadeira sobre estas vivências.

O fato é que, antes da minha experiência pessoal, eu teria uma forte tendência a atribuir o belo quadro pintado pelo relato dos epiléticos a uma necessidade de substituir um episódio traumático por uma vivência mística, como um mecanismo de escape ou compensação: substituir algo “feio” por algo “belo”. Isso porque nós, seres humanos, temos a tendência de negar aquilo que não compreendemos, que nunca vivemos e, por isso mesmo, sentenciamos aquele que anuncia uma realidade diferente da nossa como “alienados”, “alucinados” ou “com fértil imaginação” (um eufemismo para “mentiroso”).

Atualmente, sou da opinião que alguns casos de epilepsia poderiam ser mesmo processos de catalisação entre um plano mais sutil de existência e este nosso plano físico. Verifique-se a semelhança entre os relatos dos epiléticos e os que deixei aqui e haverá, no mínimo, a necessidade de se investigar se o que digo é verdade ou não. Espero ao menos instigar ou renovar a curiosidade dos pesquisadores neste sentido.

Escrevo de forma clara e sem mistérios as palavras neste artigo. Estou certa de tudo que vivo e vivi e creio que nada deveria ser segredo. Acredito haver chegado um tempo em que há mais que a necessidade de se desvendar definitivamente todos estes processos, para a nossa própria liberdade e felicidade.

Se estou manifestada neste plano físico, devo dispender o meu tempo precioso com a pesquisa libertadora e elevadora. Não vejo em nada disso motivo para orgulho do meu ego pessoal, pois, outrossim, sinto tudo como algo natural que pertence a cada um de nós. Algo que não deveria ser do domínio privilegiado de alguns, mas sim de todos.

Compreendo que nas mãos de muitos homens este tipo de saber poderia ser extremamente venenoso, perigoso talvez. Entretanto, não seria um perigo imensamente maior condenar toda a humanidade às trevas da ignorância por mais tempo?

Por isso, estou aqui para anunciar abertamente a realidade do modo como a concebo e a vivencio, para todos aqueles que desejem vir, ver, sentir e ouvir…

E que seja sempre pelo bem da Humanidade, para um maior vínculo de fraternidade, para a vivência mais plena da bem-aventurança!

odiariodeatma.blogspot.com



NATÁLIA OLIVEIRA – ATMA

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“Você nasceu com um pranto inútil.
Esforce-se para morrer com um sorriso de
bem-aventurança.” – Sathya Sai

 

 

 

 

 

 

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