Medo da vida (parte 1)

“Você pode tornar tudo positivo somente se você tornar-se positivo em relação à vida. Mas nós não somos positivos em relação à vida. Por quê? Por que nós não somos positivos em relação à vida? Por que nós somos negativos? Por que essa luta constante? Por que nós não podemos ter uma entrega total à vida? Qual é o medo?

Você pode não ter observado: você tem medo da vida – muito medo da vida. Pode soar estranho dizer que você tem medo da vida, porque comumente você sente que tem medo da morte, não da vida. Essa é a observação usual, que todo mundo tem medo da morte. Mas eu lhe digo: você tem medo da morte somente porque tem medo da vida. Aquele que não tem medo da vida não terá medo da morte.

Por que nós temos medo da vida? Três razões. Primeira: seu ego só pode existir se ele for contra a corrente. Flutuando corrente abaixo, seu ego não pode existir. Seu ego só pode existir quando ele luta, quando ele diz “não”. Se ele disser “sim”, sempre “sim”, ele não poderá existir. O ego é a causa básica de dizer “não” a tudo.

Olhe os seus modos, como você se comporta e reage. Olhe como o “não” vem imediatamente à mente, e como o “sim” é muito, muito difícil – porque com o “não” você existe como um ego. Com o “sim”, a sua identidade fica perdida, você se torna uma gota no oceano. Não há nenhum ego no “sim”; eis por que é tão difícil dizer sim – muito difícil.

Você está me entendendo? Se você está indo contra a corrente, você sente que você existe. Se você simplesmente se entrega e começa a flutuar com a corrente aonde quer que ela o conduza, você não sente que você existe. Então, você se tornou parte do rio. Esse ego, esse pensar-se isolado como um “eu”, cria a negatividade à sua volta. Esse ego cria as ondulações de negatividade.”

Osho, em “O Livro dos Segredos”

Medo da vida (parte 2)

“Em segundo lugar, a vida é desconhecida, imprevisível, e a sua mente é muito estreita: ela quer viver no conhecido, no previsível. A mente está sempre com medo do desconhecido. Há uma razão: é porque a mente consiste no conhecido. Tudo o que você conheceu, experimentou, aprendeu, a mente consiste nisso.

O desconhecido não faz parte da mente. A mente está sempre com medo do desconhecido, o desconhecido perturbará a mente; assim, a mente fica fechada para o desconhecido. Ela vive em sua rotina, ela vive em um padrão. Ela se move em trilhas determinadas, trilhas conhecidas. Ela vai girando, girando, exatamente como um disco de gramofone. Ela tem medo de se mover para o desconhecido.

A vida sempre está se movendo para o desconhecido, e você tem medo. Você quer que a vida ande de acordo com a sua mente, de acordo com o conhecido, mas a vida não pode segui-lo. Ela sempre se move para o desconhecido. Eis porque nós temos medo da vida e sempre que nós temos uma oportunidade nós tentamos matar a vida, nós tentamos fixá-la.

A vida é um fluxo. Nós tentamos fixá-la porque com aquilo que é fixo a previsão é possível.”

Osho, em “O Livro dos Segredos”

Medo da vida (parte 3)

“Se eu amo alguém, imediatamente minha mente começará a funcionar no sentido de como me casar com essa pessoa, porque o casamento fixa as coisas. O amor é um fluxo, o amor não pode ser previsível.

Ninguém sabe aonde ele conduzirá, ou se ele conduzirá a algum lugar. Ninguém sabe! Ele está flutuando com a correnteza e você não sabe aonde a correnteza está indo. Ele pode não estar presente no dia seguinte, no próximo momento…

Você não pode ter certeza quanto ao próximo momento. Mas a mente quer certeza, e a vida é insegurança. Porque a mente quer certeza, a mente é contra o amor. A mente é pelo casamento, porque o casamento é uma coisa fixa. Agora você tem as coisas fixas; assim, agora o fluxo está quebrado. Agora, a água não está fluindo – ela se tornou gelo. Agora, você tem alguma coisa morta; você pode prever.

Somente coisas mortas são previsíveis. Quanto mais alguma coisa está viva, mais ela é imprevisível. Ninguém sabe aonde a vida irá.”

Osho, em “O Livro dos Segredos”

Medo da vida (parte 4)

“Assim, nós não queremos a vida, queremos coisas mortas. Eis por que nós continuamos possuindo coisas. É difícil viver com uma pessoa; é fácil viver com coisas. Assim, nós continuamos possuindo coisas e coisas e coisas… É difícil viver com uma pessoa. E se nós temos que viver com uma pessoa, nós tentaremos fazer dessa pessoa uma coisa, nós não podemos permitir a pessoa.

Uma esposa é uma coisa, um marido é uma coisa. Eles não são pessoas, eles são coisas fixas. Quando o marido chega em casa, ele sabe que a esposa estará lá, esperando. Ele sabe, ele pode prever. Se ele quiser fazer amor, ele pode fazer – a esposa estará disponível. A esposa se torna uma coisa.

A esposa não pode dizer “não, hoje não estou com vontade de fazer amor”. Não se supõe que esposas digam tais coisas. Não está com vontade!? Não se supõe que elas tenham vontade. Elas são instituições fixas – institutos. Você pode confiar no instituto; você não pode confiar na vida. Dessa forma, nós transformamos pessoas em coisas.

Olhe para qualquer relacionamento. No começo é um relacionamento de “eu” e “tu”, mas, mais cedo ou mais tarde, ele se torna um relacionamento de “eu” e “aquilo”. O “tu” desaparece e, então, nós continuamos esperando determinadas coisas. Nós dizemos: “Faça isto!” Você terá de fazê-lo. É uma obrigação; aquilo tem de ser feito mecanicamente. Você não pode dizer “eu não posso fazer isso”.

Essa fixidez é o medo da vida.”

Osho, em “O Livro dos Segredos”

 

 

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