Quem se ergue às alturas sem desejos
Enche de silêncio o coração.
E, ainda que todas as turbas ruidosas
Assaltem o homem isento de desejos,
Ele habita em profundo silêncio,
Contemplando, sereno, o louco vai-e-vem,
Porquanto tudo que existe
É um incessante vir e voltar,
Um nascer e morrer.
O que retorna volta ao imperecível.
Quem isto compreende é sábio.
Quem não o compreende é autor de males.
Quem é empolgado pela alma do universo
Alarga o seu coração.
E o homem de coração largo
É tolerante,
E o tolerante é nobre.
O homem nobre cumpre a ordem cósmica.
E quem cumpre esta ordem
Se identifica com o Tao, o infinito.
É imortal como o Tao
E não subjaz a destino algum.

Lao Tsé

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