Vá lá, por favor, só por hoje… tira a máscara. Não precisas  ser forte o tempo inteiro. Tira a máscara e chora as tuas lágrimas, mostra os teus medos, liberta-te da pressa sôfrega da perfeição. Só por um dia, só enquanto estiveres comigo, tira essa máscara e mostra-me o teu verdadeiro rosto.
Eu entendo! A vida feriu e o mundo pisou. As pessoas foram embora. Ficou o silêncio. Ficou a solidão. Ficou a dor. E tudo o resto desapareceu por entre os desertos da tua vida sem vida. Eu entendo, acredita em mim. Conheço as injustiças. Trato-as todas pelo nome próprio. Todas elas têm a chave para a minha alma. Mas hoje, só hoje, deixa cair a máscara de força, deixa amolecer essa carapaça dura e crua que trazes sempre contigo.
A tua máscara é assim: tem o formato de um sorriso aberto e um brilho de lágrimas nos olhos que ninguém vê. Tem a magia do “está tudo bem” e o oculto da tristeza. E, está descansada, ninguém sabe. Como poderiam? Como poderiam saber que estás de restos quando caminhas firmemente, passo a passo, como quem desfila em paradas de felicidade? Como poderiam saber que estás quebrada se te mostras inteira e exibes as conquistas, deixando-as qual aroma no ar por onde passas? Como poderiam saber que tens a alma negra de dor, se mostras apenas a luz dos teus desejos, sem dizeres que sabes que todos eles são uma ilusão?
Deixa cair a tua máscara. Tira-a do rosto, só por hoje. Não precisas de ser forte a tempo inteiro. As tuas derrotas podem ser choradas. Os teus medos podem ser sofridos. As tuas desilusões podem ser reveladas. Ninguém devia ter de ser forte o tempo todo. Nem mesmo tu, que assumes as responsabilidades do Mundo e as carregas sobre os ombros!
Vá lá, por favor! Estamos sozinhos, por hoje, tu e eu. Deixa cair essa máscara de força. Deixa cair essa noção de que estás bem. Deixa cair as mentiras que contaste a ti mesma para te convenceres de que podias continuar a avançar, apesar das feridas abertas do teu coração. Só por hoje, deixa-te ser emotiva e tonta. Deixa-te chorar até te arderem os olhos e te doer a cabeça. Deixa-te divagar, gritar, soluçar.
A vida. É incrível como consegue entrar por becos e destruir-se a si mesma, sem pedir opiniões. E mais incrível é o entusiasmo com o qual o mundo aplaude e a forma como as pessoas fogem e se escondem nas suas supostas perfeições quando alguém se deixa cair. Sim, eu sei. A vida feriu-te e tu, tão criança na tua alma velha, tão menina no teu coração magoado, precisaste de uma força que não tinhas. Então, usa essa máscara de força. Mas não hoje. Não agora. Não aqui… Poderás sempre ser apenas tu comigo. Porque mesmo com as tuas lágrimas e a tua dor e o teu sofrimento, eu sei que és forte. Forte o suficiente para te levantares da cama a cada manhã e vestires a tua máscara de força. Forte o suficiente para gritares aos ventos que estás bem, mesmo de coração quebrado, sempre que alguém precisa do teu sorriso.
Vá lá. Por hoje, só por hoje, tira a máscara. Porque eu tenho a certeza que também és forte por entre as lágrimas e o sofrimento e essa mágoa que se entranhou na tua pele e que te corre nas veias, em vez de sangue. E tu também precisas de saber. Precisas de saber que, além da máscara, existe força em ti. Precisas de saber que, venha o que vier, hás-de ficar bem…
Então, tira essa máscara de força. Só por hoje… está bem?

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