Eros nasceu do Caos, e isto indica que de todo momento caótico pode
nascer a criatividade, a iluminação. O sofrimento em nossa história está ligado de certo modo à iniciação, à mudança da estrutura da consciência, para muitos um salto na maturidade mental que reflete a luz do Espírito.

O amor traz consigo um despertar e um engendrar da alma, de um encontro com a luz do Unidade. Das nossas feridas flui o amor, pois o amor flui mais facilmente na vulnerabilidade, na experiência da frustração que amadurece e na carência que a necessidade impõe de mudança, de transformação, nos obrigando a olhar para dentro e “cuidar-se”, cuidando do outro.

Não há cura, transformação sem a troca, solidariedade, compaixão. O Outro, me diz quem sou, cuidando o outro eu curo minhas feridas. A solidariedade e a comunhão nos libera das correntes da ignorância que nos prende no carma.
O nosso olhar refletido no espelho do outro, que nos leva em direção ao amor, a parceria e a união.

“O despertar da alma é um processo no belo. Isto implica que os critérios da estética – unidade, linha, ritmo, tensão, elegância –
podem ser transposto para a psique, oferecendo-nos um novo conjunto de qualidades para apreciar”, e para trocar. O amor chama a alma, para a
beleza da entrega, da Unidade e da plenitude do viver.

O ser humano iluminado manifesta o Pensador, está envolto num corpo composto de inumeráveis combinações da matéria sutil do plano mental – expressão da Alma divina que alcança os planos intuitivos e búdicos e expande a consciência com a Unidade.

A Personalidade do homem (”eu inferior” ou EGO) é constituída pelas energias dos planos físico, duplo-etérico (onde ficam os chakras, que fazem a ligação entre o físico e o astral), o vital (ou astral) e mental inferior. Em contrapartida, os planos mental superior, intuicional (ou búdico) e espiritual (ou átmico) fornecem as energias e materiais constitutivos da Tríade Espiritual (que chamaremos “eu superior” ).

O que se chama corpo emocional, ou de desejos, está composto de matéria mais densa, e é ela que, no homem pouco desenvolvido, egoísta, ambicioso, apegado ás coisas materiais, ainda, constitui a maior parte de sua aura.

Quando o homem é de tipo grosseiro, seu corpo de desejos está formado da matéria mais densa do mundo astral; sua aura é opaca, as cores são escuras, e os diferentes tons do verde e do vermelho, empanados ou sujos, desempenham o papel mais importante. Segundo a espécie de paixão que se manifesta.(5)

A vontade para o bem, para a solidariedade a conexão com os planos superiores da mente nos libera da escravidão das emoções.

O corpo emocional ou de desejos dá origem a uma segunda espécie de entidades, em sua constituição geral semelhantes às formas de pensamento negativas, escuras, mas limitadas ao mundo astral, e geradas pela mente dominada pela natureza animal.

Estas formas são devidas à atividade da mente inferior, ao exteriorizar-se através do corpo emocional; é a atividade de Kama-Manas segundo a terminologia teosófica, ou a mente dominada pelo desejo.

“Realmente, quantos de nós somos responsáveis pelas dificuldades por que passamos! Quantas vezes, devido a nossa imprudência, atraímos situações que nos causam sofrimento que poderíamos evitar se vivêssemos com maior lucidez espiritual e mental.

Quantas vezes geramos pensamentos de medo, acreditando que somos incapazes de superar determinada situação, nos sentindo cada vez mais fracos. E o que é pior, passamos a usar drogas ou medicamentos na ânsia de acabar com nossa angústia. Isso quando não acreditamos que alguém fez magia negra contra nós ou que estamos sendo obsediados.

Na maioria das vezes, nós mesmos é que somos os culpados. Podemos chamar isso de auto-obsessão. E quando determinada idéia é constante em nossa mente (monoideísmo) acabamos gerando as formas-pensamento. As formas-pensamento irão permanecer em torno do nosso campo mental, “gravitando” ao nosso redor, pois nós as alimentamos com nossa energia, com o nosso medo e com as nossas emoções”. (5)

Elas parecem ter vida própria, mas na verdade obedecem automaticamente a determinados padrões de manifestação, alguns, inclusive, que fazem parte do inconsciente coletivo e estas formas pensamentos são alimento para os espíritos obsessores do mundo astral inferior que são atraídos para a nossa atmosfera pela pestilência da nossa concepção.

A lei da atração nos une com seres vivos e “mortos” que entram em nossa vida e transforma nossa vida um pesadelo, um filme de terror, de dificuldades e limitações.

Quando ficamos com idéias fixas, sentimento de vingança de destruição, quando não conseguimos deter os pensamentos de ódio, pode ser que estamos sendo possuído pelo mundo astral inferior que nos une com espíritos, egregóras, pessoas, situações que envolvam o ódio e a destruição.

“Quando a energia é deliberadamente gerada, ela forma um padrão, ou seja, tem a tendência de se manter como está e de influenciar o meio ao seu redor. No mais, as egrégoras são esferas (concentrações) de energia comum. Quando várias pessoas tem um mesmo objetivo comum, sua energia se agrupa e se “arranja” numa egrégora. Esse é um conceito místico com vínculos muito próximos à teoria das formas-pensamento, onde todo pensamento e energia gerada têm existência, podendo circular livremente pelo cosmo.

“O processo de autoconhecimento é eterno. Trabalhemos sempre nele para que possamos nos libertar da cadeia de sofrimento em que vivemos, o sansara, como diz a sabedoria oriental.

Conheça-te a ti mesmo!’

O momento mais doloroso é aquele que desafia sua
capacidade de suportar o ódio, a humilhação, a tristeza, a perda, a inveja, o fracasso que mobiliza os aspectos sombrios, com suas partes inaceitáveis, irracionais; é uma tarefa difícil e complicada, envolve amadurecimento e compreensão e afeta a auto-imagem, a auto-estima e nos obriga a ser capaz de
abandonar a persona defensiva.

Todos nós Vivemos várias emoções que são experimentadas, tais como a ansiedade, depressão, raiva, vergonha, insegurança, humilhação, perplexidade, culpa, aumento do desejo sexual e desejo de vingança.
O processo de individuação, o encontro com o eu verdadeiro é um processo que nos leva para a o encontro com a Alma. O resgate do eu projetado e o reconhecimento dos aspectos subdesenvolvidos sombrios deveriam ser assimilados e integrados à consciência para o fortalecimento da personalidade”. (1)

Quando olhamos para nosso “eu” escuro e nos reconhecemos nele, sem
culpa, sem vergonha, então, é possível entrar em contato com a nossa
beleza interior que nos é revelada no outro, em nossas relações.

Reconhecer-se no rosto feio, transfigurado pela dor do abandono,
escuro pelo ódio, pela violência da fúria insana é uma maneira de nos envolver com o amor, de valorizar nosso mundo interno com uma nova compreensão do nosso processo de crescimento.
Precisamos aprender o exercício da tolerância com nossos “pecados” e fraquezas. O juiz interno é aquele que nos julga e pensaliza na vida e morte.
Quando reconhecemos nosso interior escuro, nosso potêncial para a degradação e destruição começamos a compreender os “pecados” dos outros e deixamos o julgamento para a sociedade e para a vida.
A consciência da nossa fragilidade nos liberta da repetição dos nossos transgressões.
Há, clara correlação entre auto-estima rebaixada, e conseqüentemente a sensação de insegurança e, finalmente o ciúme, o ódio, a inveja.
Vivemos debaixo de um vulcão emocional sempre prestes à erupção quando nossas emoções estão imaturas e fragilizadas. A personalidade fica extremamente sensível, vulnerável e muito desconfiada, a auto-estima quando está muito rebaixada, apresenta como defesa um comportamento reativo, impulsivo, egoísta e agressivo.
O processo evolutivo da alma passa por este caminho, aqui é o ponto de entrada para todos os outros níveis de percepção e de consciência.
Quando a humildade toma conta do coração, compreendemos que não
devemos julgar condenar, punir os outros que sofrem a dor da
inconsciência e da separação. Só assim, será possível sentir a
misericórdia e a compaixão pelo outro, que se debate nas garras da sua
escuridão.

Assim, será possível ser livre para assumir os poderes (lições, dons e talentos), inspirar confiança e amor e assumir a direção do nosso destino, fazer escolhas e tomar decisões iluminadas com a luz do Espírito da Divina Presença.
Este é o caminho para o Um, para o Todo.

Quando quebramos velhões padrões de comportamentos que isolam, separam no egoísmo e no individualismo, assumimos o Poder Divino da Chama Eterna em nossos corações.

Percebemos nosso desejo de destruir e neste momento, tomamos consciência da nossa brutalidade e inconsciência. O ódio nasce da frustração, da
tristeza, e da revolta contra a vida, contra si mesmo.

Existem almas que não aceitam a vida como ela é. A nossa criança interior não sabe lidar com a solidão, desamparo, inveja, fúria, com o ódio;

possivelmente houve um momento da nossa vida que perdemos parte da
nossa pureza e inocência. A depressão é o ódio que se volta contra si
mesmo, é uma energia internalizada contra o corpo, contra a vida e
revela-se em sintomas, doenças e atitudes agressivas contra aqueles que amamos.
A culpa e o medo da punição ativam muitos conflitos para todos que
vivem no sangue e na alma a agitação da agressividade e do ódio, que acumularam em vidas passadas.

O inferno mora dentro da nossa mente. E quando reconhecemos que somos perigosos, não sabemos como sair deste labirinto, então começa a liberação.
Seja o Observador , da suas emoções. Sua essência não é a sua raiva…
Muitos vivem o mito do minotauro encarcerado dentro de si mesmo, sem saída.

A inveja nos domina, e a fúria aumenta diante da impotência e do desamparo. O minotauro chora de dor, sua ferida sangra; uiva como um lobo possuído pela solidão – sente ódio, vontade de matar e de morrer; e muitas vezes atrai vítimas para seu mundo para destruí-las. Dizem, que o seu destino é ser o minotauro na vida dos “inocentes e puros de coração”.

Quando o ódio domina a nossa vida, estamos separados da Alma Divina, do Espírito e da unidade. Não há esperança de dias melhores, sabemos no fundo que a adversidade mora dentro da gente, que o nosso maior obstáculo é o nosso jeito de ser. A solidão é avassaladora, e o prazer de destruir, e a morte, substitui o prazer da vida, da união e da fraternidade.

No fundo perdemos nossas referências com o mundo do
belo, da harmonia e união.

Muitos estão vivendo o mito pessoal que direciona o seu destino para
a destruição, para ambientes e pessoas que estão dentro do “filme, da
estória da sua vida” como protagonista, criam cenários e situações onde a violência e o ódio são dominantes.

“Vivemos uma constelação de crenças, sentimentos e imagens organizada em torno de um tema central”. Repetimos nossos padrões de comportamentos, em um círculo vicioso que muda somente o cenário, o lugar e as pessoas envolvidas no tema central.

A nossa carência mergulha em nossos infernos eternos (mente, pensamentos), afeta nossa “loucura”, impulsividade, agressividade e insanidade que nos leva a não suportar a vida como ela é. A dor que sangra na humilhação da carência nos ensina que a humildade nos levará para receber e a dar ajuda, tratamento, e
amparo.

Geralmente muitas pessoas agressivas são guerreiras, líderes, com uma grande capacidade de investir sua energia na vitória, e podem estar no
lugar errado, nunca lhe ouviram ou teve oportunidade de investir esta
energia em uma causa onde pudesse ser reconhecido e consagrado publicamente.

Muitas vezes, a personalidade está revoltada por não ter tido oportunidade na vida, de se tornar uma pessoa melhor; nunca encontrou um continente, uma aceitação incondicional, capaz de transformar e provocar mudanças.

Somos cegos, não percebemos o que admiramos, e temos inveja e raiva do outro, dos seus dons e de tudo que ele é; idealizamos no outro aquilo que possuímos, mas não reconhecemos como nosso. Projetamos no outro, nossas qualidades e nos sentimos inferiores, pobres de espírito, menores, apagados, pobres, carentes, necessitados.

Então, compensamos com a raiva furiosa do onipotente, do arrogante, que traz consigo uma criança ferida, um adolescente atormentado. A raiva é uma manifestação do medo da morte – de matar ou de ser morto…

A raiva que agride sem medidas, sem pensar nas consequências, sinaliza para a falta de limites, da falta da internalização da lei estabelecida (cultura, do social, do pai); que nos ensina a viver com a ética e com respeito ao próximo, com a empatia e compaixão.

Os valores, a medida, a tolerância e aceitação do outro como ele é, são “aprendidos” e internalizados na infância e na adolescência. Se não aprendemos a viver em harmonia com nossos pais, com a nossa comunidade, amigos e cultura, então é muito difícil encontrar um lugar na sociedade, no casamento, em nossas relações sociais, no mundo.

Muito param de lutar, a auto-estima cai e se entregam ao crime, às drogas, à bebida e sentem que o seu destino é a morte, a carência ou a cadeia.

A vida configura nossos papéis, nosso lugar no mundo?!
Nossos pensamentos, nossa personalidade, nosso universo familiar, e
individual tece nosso jeito de ser, nossos padrões e crenças, até que a
consciência possa olhar para o “eu’ com amor, no “eu do outro”.

Enquanto estamos cegos e insensíveis para a realidade do outro,
para a dor do outro, voltados para nossa dor estaremos presos no
espelho cruel do narcisismo que nos mata de fome de amor, não há
relacionamento, troca, afeto com o outro…
O Sentimento de ódio normalmente é um sentimento inaceitável que não nos pertence, e é reativo. Sempre é tido como vindo de fora, causado por outrem, ou projetado em alguém ou algo exterior.

“Se nós praticamos o caminho do meio, ou seja, percebemos que o ódio é nosso – inconsciente, poderemos controlar o próprio ódio, no instante que ele
aflora.”

O caminho do meio é o do observador do ódio, da fúria,
permite que ela venha e vá, como chegou e sabe que tudo é maya, tudo é impermanente; tudo isto que vivemos é o inferno do mundo das emoções e que, apesar de…, o Verdadeiro Eu permanece , no Eu Sou o que Sou.

O caminho do meio ensina que devemos aceitar, abraçar o ódio , sua
dor, com muito amor e, quando ele vier, permita que ele venha e
aceite sua fúria, como observadora. Quem observa é o verdadeiro Eu
Divino, sua Divina Presença, Eu sou, seu Buda interior.

“O ser que reflete sobre seu próprio ser e se sente dividido em duas igualdades. O outro terá sempre o papel psicológico de espelho.

O homem está sendo refletido pelo outro, em qualquer momento da vida. E este espelhamento cria nova oportunidade de auto-reflexão. O homem o mundo estão num eterno diálogo em que um reflete o outro”.

“O episódio do reflexo sintetiza o ato de conhecimento. Narciso
conhece a si mesmo e ao outro, e assim marca a sua diferenciação do mundo”.
mundo”.

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